sexta-feira, 2 de novembro de 2018
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
Solenidade de Todos os Santos
UM LUGAR DE PURIFICAÇÃO
Que
local misterioso é esse entre a terra e o Céu, cujos "habitantes" pedem
veementemente nossa ajuda e também podem nos beneficiar?
Carlos
Werner Benjumea
Entra
em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em
caminho com ele, para não suceder que te entregue ao juiz, e o juiz
te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão.Em verdade te
digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo"
(Mt 5, 25-26).Jesus estava falando aos Apóstolos a respeito das
punições que esperam os pecadores após a morte. Antes se referira
ao fogo da geena - o Inferno -, uma prisão perpétua, eterna. Mas
aqui Ele fala de um cárcere do qual se poderá sair, desde que seja
pago o débito, até o último centavo.Essa prisão temporária, um
estado de purificação para os que morrem cristãmente sem terem
atingido a perfeição, é o Purgatório. Lugar misterioso, mas onde
reina a esperança e os gemidos de dor são entremeados por cânticos
de amor a Deus.Caro leitor, eis um assunto do qual se fala pouco, mas
cujo conhecimento é vital para nós e para nossos entes querido s
que já partiram desta vida.Convido-o a repassar comigo diversos
aspectos desse importante tema.
A
festa de Finados
No
dia 2 de novembro, a sagrada Liturgia se lembra de modo especial dos
fiéis defuntos. Depois de ter celebrado – no
Santo
Odilon instituiu no calendário cluniacense a "Festa dos Mortos"
(Vitral do museu de Cluny)
dia
anterior, festa de Todos os Santos - os triunfos de seus filhos que
já alcançaram a glória do Céu, a Igreja dirige seu maternal
desvelo para aqueles que sofrem no Purgatório e clamam com o
salmista: "Tirai-me desta prisão, para que possa agradecer ao
vosso nome. Os justos virão rodear-me, quando me tiverdes feito este
benefício" (Sl 141, 8). A gênese dessa celebração está na
famosa abadia de Cluny, quando seu quinto Abade, Santo Odilon,
instituiu no calendário litúrgico cluniacense a "Festa dos
Mortos", dando especial oportunidade a seus monges de interceder
pelos defuntos, ajudando-os a alcançarem a bem aventurança do Céu.
A
partir de Cluny, essa comemoração foi-se estendendo entre os fiéis
até ser incluída no Calendário Litúrgico da Igreja, tornando- se
uma devoção habitual, em todo o mundo católico. Talvez o leitor,
como milhares de outros fiéis, tenha o costume de visitar o
cemitério nesse dia, para recordar os familiares e amigos falecidos,
e por eles orar. Muitos cristãos, porém, não prestam ouvidos aos
apelos de seu coração, que os move a sentir saudades de seus entes
queridos e a aliviálos com uma prece. Talvez por falta de cultura
religiosa, ou por falta de alguém que as incentive ou oriente,
muitas pessoas nem veem a necessidade de rezar pelas almas dos
falecidos.
A
inúmeras outras, a existência do Purgatório causa estranheza e
antipatia.Seja como for, tanto por amor às almas que esperam ver-se
livres de suas manchas para entrarem no Paraíso, quanto para
estimular em nós a caridade para com esses irmãos necessitados,
como também para nosso próprio proveito, vejamos o "porquê"
e o "para quê" da existência do Purgatório.
Purificação
necessária para entrar no Céu
Sabemos
que a Igreja Católica é una. É o que rezamos no Credo. Entretanto,
os membros da Igreja não estão todos aqui, entre nós, mas em
lugares diversos, como diz o Concílio Vaticano II. Alguns
"peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são
purificados, outros, finalmente, são glorificados" (Lumen
Gentium, 49). Entre a terra e o Céu não é raro acontecer, no
itinerário da alma fiel, um estágio intermediário de purificação.
Segundo nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, por aí passam
"os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão
perfeitamente purificados".
Por
isso "passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de
obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu"
(nº 1030).Esse estado de purificação nada tem a ver com o castigo
dos condenados ao Inferno, pois as almas do Purgatório têm a
certeza de haver conquistado o Céu, mesmo que sua entrada ali tenha
sido adiada por causa de seus resíduos de pecado. A primeira
epístola aos Coríntios faz referência ao exame a que serão
submetidos os cristãos, os quais, havendo recebido a Fé, devem
continuar em si a obra de sua santificação. Cada um será examinado
no respeitante ao grau de perfeição que atingiu: "Se alguém
edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras
preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um
aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá- lo-á. Será descoberto
pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a
construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar
fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de
alguma maneira através do fogo" (1Cor 3, 12-15). "Ele será
salvo", diz o Apóstolo, excluindo o fogo do Inferno, no qual
ninguém pode ser salvo, e se referindo ao fogo temporário do
Purgatório.
Comentando
este e outros trechos da Sagrada Escritura, a Tradição da Igreja
nos fala do fogo destinado a limpar a alma, como explica São
Gregório Magno em seus Diálogos: "Com relação a certas
faltas leves, é necessário crer que, antes do Juízo, existe um
fogo purificador, como afirma Aquele que é a Verdade, ao dizer que,
se alguém pronunciou uma blasfêmia contra o Espírito Santo, essa
pessoa não será perdoada nem neste século nem no futuro (Mt 12,
31). Por essa frase, podemos entender que algumas faltas podem ser
perdoadas neste século, mas outras no século futuro".
Por
que existe o Purgatório?
Será
Deus tão rigoroso a ponto de não tolerar nem mesmo a menor
imperfeição, limpando-a com penas severas? Esta pergunta facilmente
pode nos vir à mente.
Explica
ela o seguinte: "Digo mais: no concernente a Deus, vejo que o
Paraíso não tem portas e ali pode entrar quem quiser, pois Deus é
todo misericórdia e seus braços estão sempre abertos para nos
receber na glória; mas a divina Essência é tão pura -
infinitamente mais pura do que podemos imaginar - que a alma, vendo
nela mesma a menor das imperfeições, prefere atirar-se em mil
infernos a aparecer suja na presença da divina Majestade. Sabendo
então que o Purgatório está criado para a purificar, ele mesma se
joga nele e encontra ali grande misericórdia: a destruição de suas
faltas". Essas manchas, a serem purificadas na outra vida, o que
são? São os restos de apego exagerado às criaturas, ou seja, as
imperfeições, e os pecados veniais, bem como a dívida temporal dos
pecados mortais já perdoados no Sacramento da Reconciliação. Tudo
isso diminui na alma o amor de Deus. Por causa dessas afeições
desregradas se estabelece um estado de desordem em nosso interior,
afastando- nos do Mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas.
Essa é a causa pela qual, antes de permitir a uma alma subir até a
glória celestial, "a justiça de Deus exige uma pena
proporcional que restabeleça a ordem perturbada" (Suma
Teológica, Supl. q. 71, a. 1) E a alma se sujeita ao castigo do
Purgatório com alegria, em plena conformidade com a vontade do
Senhor. Seu único desejo é ver-se limpa, para poder configurar-se
com Cristo. As almas nesse estado "purificam se", diz São
Francisco de Sales, "voluntariamente, amorosamente, porque assim
Deus o quer" e "porque estão certas de sua salvação, com
uma esperança inigualável".
A
pena do Purgatório
As
dores infligidas nesse local de purificação são "tão
intensas que a menor pena do Purgatório ultrapassa a maior desta
vida" (Suma Teológica, Supl., q. 71, a. 2). Mesmo assim,
pondera São Francisco de Sales, "o Purgatório é um feliz
estado, mais desejável que temível, pois as chamas nele existentes
são chamas de amor". Mas como entender que esse terrível
sofrimento seja transpassado de amor? Na verdade, o maior tormento
das almas do Purgatório - a "pena de dano" - é causado
precisamente pelo amor. Essa pena consiste no adiamento da visão de
Deus. Criado para amar e ser amado, o homem, ao abandonar esta terra,
descobre a inefável beleza da Luz Divina e deseja correr para Ela
com todas as suas forças, como o cervo sedento corre em direção à
fonte das águas. Contudo, vendo em si o defeito do pecado, fica
privado temporariamente daquela presença tão pura. Afastada, assim,
d'Aquele que é a suprema e única felicidade, a alma sente um
padecimento incalculável. Para nós, que ainda somos peregrinos
neste vale de lágrimas, é difícil entender a imensidade dessa dor.
Vivemos sem ver a Deus, embora n'Ele creiamos. Somos como cegos de
nascimento, pois nunca vimos o Sol de Justiça, que é Deus; embora
sintamos seu calor, não podemos fazer ideia de seu resplendor e
grandeza. Entretanto, as almas benditas do Purgatório, logo após
terem abandonado o corpo inerte, discerniram a inefável e puríssima
beleza de Deus, mas não podem possuí-la imediatamente. Santa
Catarina de Gênova usa uma expressiva metáfora para explicar essa
dor: "Suponhamos que, no mundo inteiro, exista apenas um pão
para matar a fome de todas as criaturas, e que basta olhar para esse
pão para ficarem satisfeitas. Por sua natureza, o homem saudável
tem o instinto de se alimentar.
Imaginemos
que ele seja capaz de se abster dos alimentos sem morrer, sem perder
a força e a saúde, mas aumentando cada vez mais a fome. Ora,
sabendo que só aquele pão pode saciá-lo e que não poderá matar
sua fome enquanto não o alcançar, ele sofre sacrifícios
insuportáveis, os quais serão tanto maiores quanto mais longe ele
estiver do pão". Apesar de tudo, as almas do Purgatório têm a
certeza de que um dia poderão se saciar de modo pleno com esse Pão
da Vida, que é Jesus, nosso amor. E por isso seu sofrimento é em
tudo diferente do tormento dos condenados ao Inferno, os quais nunca
poderão se aproximar da Mesa do Reino dos Céus. Esperança e
desespero, eis a diferença fundamental entre esses dois lugares.
Disposição
das almas no Purgatório
Por
isso, há nas almas do Purgatório um matiz de alegria no meio da
dor. De forma brilhante, explica- o o Papa João Paulo II, na
alocução de 3 de julho de 1991: "Mesmo que a alma tenha de
sujeitar-se, naquela passagem para o Céu, à purificação das
últimas escórias, mediante o Purgatório, ela já está cheia de
luz, de certeza, de alegria, pois sabe que pertence para sempre ao
seu Deus". E Santa Catarina de Gênova afirma: "Estou certa
de que em nenhum outro lugar, excetuando o Céu, o espírito pode
achar uma paz semelhante à das almas do Purgatório". Isso
ocorre porque a alma se fixa na disposição em que se encontra na
hora da morte, ou seja, contra ou a favor de Deus, pois a liberdade
humana termina com a morte. E tendo falecido na amizade de Deus, a
alma do Purgatório se adapta com docilidade à sua santa vontade.
Daí conservar a paz em meio a terríveis sofrimentos. Dos lábios do
Maria,
Mãe de Misericórdia, intercede por aquelas almas, que
estão
à espera da liberação (Nossa Senhora do Purgatório,
Igreja
de Santa Brígida, Montreal)
suavíssimo
São Francisco de Sales ouvimos dizer que "entre o último
suspiro e a eternidade, há um abismo de misericórdia". Todos
acham melhor fazer um esforço para evitá-lo. Outros, porém, sem se
oporem aos anteriores, enfrentam o problema com uma ousada confiança
no amor misericordioso do Senhor. Santa Teresa de Jesus, por exemplo,
diz com veemência: "Esforcemo- nos, fazendo penitência nesta
vida. Como ser á suave a morte de quem a tiver feito por todos os
seus pecados, e assim não precisar ir para o Purgatório!" Já
sua discípula, Santa Teresinha do Menino Jesus, formula de modo
surpreendente sua atitude, se nele caísse: "Se eu for para o
Purgatório, ficarei muito contente; farei como os três hebreus na
fornalha, caminharei entre as chamas cantando o cântico do amor".
Uma atitude não contradiz a outra, mas ambas se completam, e, mesmo
se tivermos de passar por esse lugar tão doloroso, tenhamos uma
confiança sem limites na bondade divina. De qualquer modo, a Santa
Igreja coloca maternalmente à nossa disposição as indulgências,
para nos poupar das penas do Purgatório. Mas este tema pode ficar
para outro artigo.
Ajudemos
as almas benditas
Não
devemos pensar só no nosso destino pessoal, mas também nos
perguntarmos como podemos ajudar aquelas almas que já estão à
espera da libertação. Elas não podem fazer nada por si, pois estão
impossibilitadas de alcançar méritos, e dependem de nós.
Interceder por elas é uma belíssima e valiosa obra de misericórdia:
de certo modo, não há ninguém mais carente do que elas. O costume
de rezar pelas almas dos falecidos vem do Antigo Testamento. Também
diversos Padres da Igreja promoveram essa prática, como São Cirilo
de Jerusalém, São Gregório de Nissa, Santo Ambrósio e Santo
Agostinho. No século XIII, o Concílio de Lyon ensinava: "As
almas são beneficiadas pelos sufrágios dos fiéis vivos, quer
dizer, o sacrifício da Missa, as orações, esmolas e outras obras
de piedade, as quais, segundo as leis da Igreja, os fiéis estão
acostumados a oferecer uns pelos outros".
Como
é bela a devoção às benditas almas do Purgatório! É agradável
a Deus e nos beneficia também, levando-nos à verdadeira dimensão
cristã da existência, fazendo-nos viver em contato e comunhão com
o sobrenatural, e com o futuro, no sentido mais pleno da palavra.
Como essas pobres almas nos ficarão agradecidas ao receber nosso
auxílio! Poderão ser nossos parentes, ou até mesmo nossos pais.
Poderá ser alguém que não conhecemos, e que nos dará uma afetuosa
acolhida na eternidade. No Céu, e enquanto ainda estiverem no
Purgatório, elas rezarão por nós, com todo o empenho, pois Deus
lhes dá essa possibilidade. Concluindo, gostaria de fazer ao prezado
leitor uma proposta: reze por essas almas necessitadas, ofereça-
lhes Missas, dê esmolas por elas, faça sacrifícios e consiga que
outras pessoas se tornem devotas fervorosas das almas benditas.
Sabe quem será o maior beneficiado? Você mesmo!
Sabe quem será o maior beneficiado? Você mesmo!
Fontes
documentais sobre o Purgatório
A
doutrina católica sobre o Purgatório foi definida em especial no
Concílio de Florença (1438-1445) e no de Trento (1545-1563), com
base em textos da Escritura (2Mc 12,42-46; 1Cor 3,13-15) e da
Tradição, conforme nos ensina o Catecismo da Igreja Católica
(n.1030-1031). A Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio
Vaticano II, aborda a questão em seu número 50: "Orações
pelos defuntos, culto dos santos". Em sua solene profissão de
fé intitulada Credo do Povo de Deus, feita em 30 de junho de 1968, o
Papa Paulo VI inclui as almas "que se devem ainda purificar no
fogo do Purgatório" (n. 28).
O
Papa João Paulo II refere- se ao Purgatório em vários documentos:
- Mensagem ao Cardeal Penitenciário-Mor de Roma, 20/3/98; - Carta ao
Bispo de Autum, Châlon e Mâcon, Abade de Cluny, 2/6/98; - Audiência
Geral de 22/7/98; - Audiência Geral de 4/8/99; - Mensagem à
Superiora Geral do Instituto das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora do
Sufrágio, 2/9/2002.
(Revista
Arautos do Evangelho, Nov/2006, n. 59, p. 34 a 37)
Do
século IV em diante, as Igrejas do Oriente celebravam uma festa
comum a todos os mártires da terra. Santo Efrém compôs, para esta
circunstância, um hino em que se via que em Edessa aquela festa
estava fixada no dia 13 de Maio. N
a
Síria, era celebrada na sexta-feira depois da Páscoa. Numa homilia
sobre os mártires, o grande São João Crisóstomo a ela se refere
colocada no primeiro domingo depois de Pentecostes. A festa dos
Mártires de Toda a Terra, com o correr dos tempos, transformou-se na
de Todos os Santos, instituída em honra da Bem-aventurada Mãe de
Deus, a Virgem Maria, e dos santos mártires, pelo Papa Bonifácio
IV, o pontífice Gregório IV, mais tarde, decretou que a festa, já
celebrada de diferentes maneiras por diversas Igrejas, seria levada a
efeito, com solenidade, em honra de todos os santos, perpetuamente. A
missa de Todos os Santos foi composta acidentalmente, mas é bela: O
Introito de Santa Ágata, o Gradual de São Ciríaco, o Ofertório
adaptado do de São Miguel alia-se à Aleluia e à Comunhão tirada
dos textos evangélicos. O Evangelho é o das Beatitudes. Quanto à
colocação da festa a 1 de novembro, pensa-se quem como em todas as
religiões as solenidades eram marcadas pelo ritmo das estações,
que o cristianismo não tenha escapado a esta regra. Entre os celtas,
o 1 de novembro era dia de grandes solenidades. Foi a festa de Todos
os Santos instituída para cristianizar as cerimônias tão queridas
dos anglo-saxões e dos francos? Roma celebrava-a aos 13 de maio e
somente a adotou a 1 de novembro depois que sofreu galicanas
influências. Rapidamente, a festa tornou-se popular, mais ainda
quando completada com a comemoração dos fiéis defuntos.
Que
bela festa! É como se Todos os Santos e Finados fosse uma só festa.
Dum lado, a Igreja militante, sobre a terra, roga à Igreja
triunfante do céu, e doutro lado, roga pela Igreja sofredora e
paciente do purgatório. E as três Igrejas são uma única Igreja. A
caridade, mais forte do que a morte, uniu-as do céu à terra, e da
terra ao purgatório, E é pelo mesmo sacrifício que nós
agradecemos a Deus, a glória com a qual cumula os santos do céu, e
imploramos a misericórdia para os santos do purgatório, santos
ainda não perfeitos. Tal sacrifício é Jesus mesmo, que santifica,
uns e outros, de quem esperamos a graça de nos santificar a nós
mesmos. Assim, todos se reúnem em vós, ó Jesus! Somos felizes! Eu
vos saúdo, ó bem-aventurados amigos de Deus, santos de todos os
séculos e de todos os lugares do mundo! Regozijamo-nos, e muito, de
tão inumerável multidão de santos. Regozijamo-nos da benevolência
de Deus, que vos tem no purgatório, misericordioso, e na glória, os
que tem no céu: unimo-nos a vós para louvá-lo e bendizê-lo por
todo o sempre. Uni-vos vós a nós também: assim podereis obter-nos
da misericórdia de Deus a graça de vos imitar. Sabeis, pela
experiência, o que somos nós, os homens: fracos, miseráveis,
levados ao mal, cercados de perigos por todos os lados. E qual é
nosso maior inimigo? Ah., nosso maior inimigo somos nós mesmos!
Rezai, pois, pedi por nós, bons e santos irmãos, a fim de que,
logo, sejamos como sois; a fim de que, como vós sejamos doces e
humildes de coração; a fim de que, como vós, nos conheçamos a nós
mesmos; rezai, pedi para
que
saibamos carregar nossa cruz; para que sigamos o divino Mestre, até
que, afinal, todos a vós nos reunamos, para amá-lo e bendizê-lo de
todo o coração e para todo o sempre. Considerai, ó almas, a
grande, imensa profissão de santos que avança através dos séculos,
da terra ao céu, que iremos engrossar, se Deus quiser. O primeiro,
aquele que rompe à frente, é o primeiro homem que foi morto sobre a
terra - Abel. Abel, que Nosso Senhor mesmo canonizou, dando-lhe o
nome de justo, no Evangelho. Foi Abel, a um só tempo, pastor,
sacerdote e mártir. Pastor de ovelhas, oferece-as, como sacerdote,
em sacrifício a Deus. Ele, que imolava, foi imolado como mártir,
por Caim, seu irmão. Embora morto, fala ainda pelo sangue. Símbolo
de Jesus Cristo, é como o porta-cruz da grande procissão. E, do
mesmo modo como se faz na procissão de domingo de Ramos, entrará na
igreja do céu, quando Jesus Cristo, o sacerdote por excelência,
abrir de par em par as portas da cruz, a sua cruz e, pelo sangue, o
seu sangue. Símbolo de Jesus Cristo, pelo sacrifício e pela morte,
ele o é ainda pelo caráter de ressurreição. Porque Eva nos ensina
que Deus lhe deu Seth para ser substituto da primeira sociedade.
Depois de Abel, o primeiro justo, vem-lhe no encalço pai e mãe,
nossos primeiros pais. Porque, logo que compreenderam a voz de Deus,
Adão e Eva deixaram de ter duro o coração. Esperança, desde
então, dos Filhos da mulher, que devia esmagar a cabeça da
serpente, fizeram penitência das faltas e obtiveram o perdão. O
Espírito Santo diz-nos, ele mesmo, na Escritura, que a Sabedoria,
que é Jesus Cristo, que atende duma extremidade à outra com poder e
a tudo com doçura dispõe, tira do pecado aquele que foi criado pelo
pai do mundo e lhe dá a virtude de dominar todas as coisas. Tais
palavras, tiradas do livro da Sabedoria, são uma como canonização.
Ainda hoje, as tradições orientais falam da longa penitência do
primeiro homem.
Na
ilha de Ceilão há uma alta montanha com o nome de Pico de Adão,
onde se pretende que o primeiro homem chorou amargamente a falta
através dos séculos, Uma tradição particular dos judeus quer que
o velho Adão esteja sepultado em Jerusalém, no lugar mesmo onde o
novo Adão reparou o mal das gentes. Afinal, no segundo século da
era cristã, um espírito excessivo sustentou que Adão foi
condenado, por toda a Igreja pelo erra que cometera. A santa
Escritura mesma, canonizou um dos primeiros ancestrais que vivia
ainda: Henoc, pai de Matusalém. O livro dos Gênesis diz-nos: "Henoc
caminhou com Deus." O apóstolo São Judas dizia dos ímpios que
blasfemavam contra o Evangelho: Henoc, o sétimo depois de Adão,
dele profetizou, quando disse: Eis que vem o Senhor com os santos
para exercer o julgamento de todos os homens, e tomar dentre eles
todos os ímpios, ímpios de todas as impiedades e de todas as
palavras duras que tais ímpios pecadores contra Ele proferiram. São
Paulo, o Doutor dos Gentios, disse, na Epístola aos hebreus: Pelo
mérito da fé, Henoc foi elevado, para que não visse a morte; não
mais foi visto, porque Deus o transportou alhures. Presume-se que
para o paraíso, para um lugar de delícias, cheio dos frutos da
arvora da vida, dos quais se alimenta. Crê-se, geralmente, que no
fim dos séculos, no fim do mundo cristão, Henoc virá como
representante do mundo primitivo, com Elias, representante do mundo
judaico, prestando testemunho do Cristo contra o inimigo capital.
Outro santo, do qual todos descendemos, aparece na procissão, na
grande procissão: Noé, profeta e pregador do mundo antigo, pai e
pontífice do mundo novo, que nos salvou do dilúvio por meio da
arca, símbolo da Igreja católica. Foi canonizado. Vem-lo no
Gênesis, no livro da Sabedoria, no Eclesiástico, em São Pedro nas
duas epístolas e em São Paulo na epístola aos hebreus. São Pedro
chama-o, na segunda epístola, o oitavo pregador da justiça, o que
dá a entender que os outros oito ancestrais nossos, antes do
dilúvio, pregaram também a justiça e a penitência. Ao sair da
arca, o segundo pai do gênero humano, como sacerdote, e pontífice,
a Deus ofereceu um sacrifício - e Deus teve-o por agradável, dando
a palavra de não mais amaldiçoar a terra e os homens, que deviam
multiplicar-se.
Deus abençoou Noé e os três filhos: abençoou-os e, neles, todo o gênero humano e, neles, nós mesmos. Não só nos abençoou, quando os ancestrais abençoou, senão que fez conosco uma aliança, como com quem quer que eleve e da benção, dá-nos o arco-íris com as doces nuanças. Há coisa mais consoladora ainda. Os contemporâneos de Noé perderam a vida do corpo no dilúvio: não encontraram, porém, a vida, a salvação da alma? São Pedro diz: "Com efeito, é melhor sofrer se Deus assim quiser, fazendo bem, que fazendo mal porque também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados, ele, justo, pelos injustos, para nos oferecer a Deus, sendo efetivamente morto segundo a carne, mas vivificado pelo Espírito. No qual ele também foi pregar aos espíritos que estavam no cárcere, espíritos que outrora foram incrédulos, quando nos idas de Noé a paciência de Deus estava esperando a sua conversão, enquanto se fabricava a arca." Os mais doutos e os mais célebres intérpetres entendem, de comum acordo, que os contemporâneos de Noé não acreditavam nas predições do
dilúvio,
estribados na paciência de Deus: quando, então, viram a realização
das predições, o mar transbordando numa fúria incontida e as
chuvas caindo em torrentes, creram e arrependeram-se. O dilúvio
destruiu-lhes os corpos, mas salvou-lhes as almas. Estavam todos
detidos nas prisões do purgatório quando Jesus Cristo, morto na
carne sobre a cruz, apareceu, no espírito - ou na alma
pregando-lhes, anunciando-lhes a boa-nova; era-lhes o Salvador.
Findavam-se-lhes as penas, e, então, com os santos patriarcas,
acompanhá-lo-iam na entrada triunfante no céu.
Ah! Quem não louvará a grande, imensa bondade de Deus, todo Ele votado à salvação das almas, para isto se servindo das mais terríveis calamidades, que lhe vem da justiça? Quem não votará a tão bom Pai a mais irrestrita confiança, vendo que os mesmos lhe haviam por tão longo tempo abusado da paciência, não se convertendo senão na última hora, não lhe imploraram em vão a misericórdia? Atrás de Noé e dos Santos do primeiro mundo, vemos, na grande procissão, Abraão, Isaac, Jacó, Melquisedec, Jó, José, e os demais patriarcas: Moisés, Aarão, Josué, Eleazar, Gedeão, Samuel, Davi, Isaías, Daniel, os outros profetas, os Macabeus e todos os anciãos justos dos quais fala São Paulo aos hebreus, "que, pela fé, conquistaram reinos, consumaram os deveres da justiça e da virtude, receberam o prometido das promessas, fecharam a fauce dos leões, detiveram a violência do fogo, evitaram o fio das espadas, curaram-se de doenças, encheram-se de coragem e de força nos combates, pondo em fuga exércitos estrangeiros; mulheres houve, até, que recuperaram ressuscitados os mortos; uns foram torturados, não querendo o resgate, para alcançarem melhor ressurreição; outros sofreram ludíbrios e açoites e, além disso, cadeias e prisões; foram tentados, foram passados a fio de espada, andaram errantes, cobertos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, angustiados, aflitos; eles, de quem o mundo não era digno, tiveram de andar errando pelos desertos, pelos montes, pelas covas e pelas cavernas. E todos esses louvados por Deus, com o testemunho prestado `sua fé, não receberam imediatamente o objeto da promessa, tendo deus disposto alguma coisa melhor para nós, a fim de que eles, sem nós, não obtivessem a perfeição da felicidade.
Por isso nós também, cercados por tão grande nuvem de testemunhas, deixando todo o peso que nos detém e o pecado que nos envolve, corramos com paciência na carreira que nos é proposta, pondo os olhos no autor e consumador da fé, Jesus, o qual, tendo-lhe sido proposto gozo, sofreu na cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está sentado à direita do trono de Deus. Em verdade não vos aproximastes do monte palpável e do fogo ardente, do turbilhão, da obscuridade, da tempestade, do som da trombeta, e daquela voz tão retumbante, que os que ouviram suplicaram não se lhes falasse mais. Vós, porém, aproximaste-vos do monte Sião e da cidade do Deus vivo, Da Jerusalém celeste e da multidão de muitos milhares de anjos, da igreja dos primogênitos, que estão inscritos o céu, e de Deus, juiz de todos, e dos espíritos dos justos perfeitos, e de Jesus, mediador da nova aliança, e da aspersão daquele sangue que fala melhor que o de Abel. Nestas palavras do Apóstolo vemos o conjunto da procissão, incluindo os anjos que vem atrás. A primeira parte espera que Jesus lhes abra a porta do céu, e, além num angélico cortejo, as criancinhas que por Ele morreram em Belém e nos arredores. Em seguida, lá está a santa Mãe. Ei-la, lindíssima, com os apóstolos, os mártires, as virgens, e a inumerável multidão de santos de todos os clãs, línguas, sexo, estados, de todos os séculos, de todos os países. Não nos esqueçamos de saudar, na imensa procissão, os santos do país, de nosso tempo, de nosso família, porque não há família cristã que não tenha santos canonizados antecipadamente por Nosso Senhor. Não disse Ele aos apóstolos: Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino do céu? E então? Qual a família que não tem um pequenino morto, morto na graça do batismo? Lá estão todos no céu. Perguntaram os apóstolos a Nosso Senhor: "Mestre, quem será grande no reino dos céus?" Jesus puxando para si uma criancinha, abraçou-a, terna, comovidamente, e respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, que se não vos converterdes nem vos fizerdes como esta criança, não entrareis no reino dos céus. Aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, esse será grande no reino celeste". Honremos, pois, esses pequenos santos de nossas famílias, esses grandes do eterno reino. Invoquemo-los mesmo, a fim de que nos obtenham a permissão de participar da grande, imensa, procissão. E que, saídos da terra, entremos no céu, na glória de Deus. Assim seja.
Deus abençoou Noé e os três filhos: abençoou-os e, neles, todo o gênero humano e, neles, nós mesmos. Não só nos abençoou, quando os ancestrais abençoou, senão que fez conosco uma aliança, como com quem quer que eleve e da benção, dá-nos o arco-íris com as doces nuanças. Há coisa mais consoladora ainda. Os contemporâneos de Noé perderam a vida do corpo no dilúvio: não encontraram, porém, a vida, a salvação da alma? São Pedro diz: "Com efeito, é melhor sofrer se Deus assim quiser, fazendo bem, que fazendo mal porque também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados, ele, justo, pelos injustos, para nos oferecer a Deus, sendo efetivamente morto segundo a carne, mas vivificado pelo Espírito. No qual ele também foi pregar aos espíritos que estavam no cárcere, espíritos que outrora foram incrédulos, quando nos idas de Noé a paciência de Deus estava esperando a sua conversão, enquanto se fabricava a arca." Os mais doutos e os mais célebres intérpetres entendem, de comum acordo, que os contemporâneos de Noé não acreditavam nas predições do
Ah! Quem não louvará a grande, imensa bondade de Deus, todo Ele votado à salvação das almas, para isto se servindo das mais terríveis calamidades, que lhe vem da justiça? Quem não votará a tão bom Pai a mais irrestrita confiança, vendo que os mesmos lhe haviam por tão longo tempo abusado da paciência, não se convertendo senão na última hora, não lhe imploraram em vão a misericórdia? Atrás de Noé e dos Santos do primeiro mundo, vemos, na grande procissão, Abraão, Isaac, Jacó, Melquisedec, Jó, José, e os demais patriarcas: Moisés, Aarão, Josué, Eleazar, Gedeão, Samuel, Davi, Isaías, Daniel, os outros profetas, os Macabeus e todos os anciãos justos dos quais fala São Paulo aos hebreus, "que, pela fé, conquistaram reinos, consumaram os deveres da justiça e da virtude, receberam o prometido das promessas, fecharam a fauce dos leões, detiveram a violência do fogo, evitaram o fio das espadas, curaram-se de doenças, encheram-se de coragem e de força nos combates, pondo em fuga exércitos estrangeiros; mulheres houve, até, que recuperaram ressuscitados os mortos; uns foram torturados, não querendo o resgate, para alcançarem melhor ressurreição; outros sofreram ludíbrios e açoites e, além disso, cadeias e prisões; foram tentados, foram passados a fio de espada, andaram errantes, cobertos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, angustiados, aflitos; eles, de quem o mundo não era digno, tiveram de andar errando pelos desertos, pelos montes, pelas covas e pelas cavernas. E todos esses louvados por Deus, com o testemunho prestado `sua fé, não receberam imediatamente o objeto da promessa, tendo deus disposto alguma coisa melhor para nós, a fim de que eles, sem nós, não obtivessem a perfeição da felicidade.
Por isso nós também, cercados por tão grande nuvem de testemunhas, deixando todo o peso que nos detém e o pecado que nos envolve, corramos com paciência na carreira que nos é proposta, pondo os olhos no autor e consumador da fé, Jesus, o qual, tendo-lhe sido proposto gozo, sofreu na cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está sentado à direita do trono de Deus. Em verdade não vos aproximastes do monte palpável e do fogo ardente, do turbilhão, da obscuridade, da tempestade, do som da trombeta, e daquela voz tão retumbante, que os que ouviram suplicaram não se lhes falasse mais. Vós, porém, aproximaste-vos do monte Sião e da cidade do Deus vivo, Da Jerusalém celeste e da multidão de muitos milhares de anjos, da igreja dos primogênitos, que estão inscritos o céu, e de Deus, juiz de todos, e dos espíritos dos justos perfeitos, e de Jesus, mediador da nova aliança, e da aspersão daquele sangue que fala melhor que o de Abel. Nestas palavras do Apóstolo vemos o conjunto da procissão, incluindo os anjos que vem atrás. A primeira parte espera que Jesus lhes abra a porta do céu, e, além num angélico cortejo, as criancinhas que por Ele morreram em Belém e nos arredores. Em seguida, lá está a santa Mãe. Ei-la, lindíssima, com os apóstolos, os mártires, as virgens, e a inumerável multidão de santos de todos os clãs, línguas, sexo, estados, de todos os séculos, de todos os países. Não nos esqueçamos de saudar, na imensa procissão, os santos do país, de nosso tempo, de nosso família, porque não há família cristã que não tenha santos canonizados antecipadamente por Nosso Senhor. Não disse Ele aos apóstolos: Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino do céu? E então? Qual a família que não tem um pequenino morto, morto na graça do batismo? Lá estão todos no céu. Perguntaram os apóstolos a Nosso Senhor: "Mestre, quem será grande no reino dos céus?" Jesus puxando para si uma criancinha, abraçou-a, terna, comovidamente, e respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, que se não vos converterdes nem vos fizerdes como esta criança, não entrareis no reino dos céus. Aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, esse será grande no reino celeste". Honremos, pois, esses pequenos santos de nossas famílias, esses grandes do eterno reino. Invoquemo-los mesmo, a fim de que nos obtenham a permissão de participar da grande, imensa, procissão. E que, saídos da terra, entremos no céu, na glória de Deus. Assim seja.
Comemoração
dos Fiéis Defuntos
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Vimos
que a Igreja triunfante do céu, a Igreja militante da terra e a
Igreja sofredora do purgatório, paciente, nada mais são que uma só
e mesma Igreja; que a caridade, mais forte que a morte as uniu do céu
à terra, e da terra ao purgatório. São como três partes duma só
e mesma procissão de santos, procissão que avança da terra ao céu.
As almas do purgatório participarão daquela procissão um dia. Sim,
porque ainda não tem, bem brancas, as vestimentas
de festa, a roupa nupcial ainda guarda nódoas, aquelas nódoas que
somente o sofrimento limpa. Vimos, então, como os
contemporâneos de Noé, aqueles que não fizeram penitência senão
no momento do dilúvio foram encerrados em prisões subterrâneas,
até que Jesus Cristo lhes aparecesse, anunciando-lhes a libertação,
quando de sua descida aos infernos. Como os fiéis da Igreja
triunfante, os fiéis da Igreja militante e os fiéis da Igreja
sofredora e paciente, são membros dum mesmo corpo - que é Jesus
Cristo - e tanto uns como outros participam, interessam-se,
condoem-se da glória, dos perigos, dos sofrimentos duns e doutros,
tal qual os membros do corpo humano. Vejamos um exemplo: o pé está
em perigo de saúde ou sofre dores: todos os membros do corpo jazem
em comoção. Os olhos olham-no, as mãos protegem-nos, a voz chama
por socorro, para afastar o mal ou o perigo. Uma vez afastado o mal,
regozijam-se todos os membros. É o que acontece com o corpo vivo da
Igreja universal. E vemos os heróis da Igreja militante, os ilustres
Macabeus, assistidos pelos anjos de Deus e pelos santos de Deus,
especialmente pelo grande sacerdote Onias e pelo profeta Jeremias,
rogar e oferecer sacrifícios por esses irmãos que estavam mortos
pela causa de Deus, mas culpados desta ou daquela falta. No dia
seguinte, depois duma vitória, Judas Macabeu e os seus surgiram para
retirar os mortos e depositá-los no sepulcro dos antepassados e
encontraram sobre as túnicas dos que estavam mortos coisas que
haviam sido consagradas aos ídolos de Jamnia, que a lei proibia aos
judeus tocar. Foi, pois, manifesto a todos que era por isso que
haviam sido mortos. E todos louvaram o justo julgamento do Eterno,
que descobre o que está escondido, e suplicaram-lhe que fosse
esquecido o pecado cometido. Judas exortou o povo a que se
preservasse do pecado, tendo diante dos olhos o que viera pelo pecado
dos que haviam sucumbido. E, depois de ter feito uma coleta, enviou a
Jerusalém duas mil dracmas de prata, para que fosse oferecido um
sacrifício pelo pecado dos mortos, agindo muito bem, pensando que
estava na ressurreição. Porque se não tivesse esperança de que os
que vinham de sucumbir ressuscitassem um dia, seria supérfluo e tolo
rogar pelos mortos.
Judas, porém, considerava que uma grande misericórdia estava reservada aos que estão adormecidos na piedade. Santo e piedoso pensamento! Foi por isso que ofereceu um sacrifício de expiação pelos defuntos, para que fossem livres dos pecados. Tais são as palavras e reflexões da Escritura santa, segundo o texto grego, e as mesmas, mais ou menos, no latino. Nosso Senhor mesmo adverte, bastante claramente, que há um purgatório, quando nos recomenda em São Mateis e São Lucas: "Conciliai-Vos com vossos inimigos (a lei de Deus e a consciência) enquanto estais em caminho para irdes ao príncipe, não seja que este ini
migo
vos entregue ao juiz, o juiz ao executor, e que sejais metido numa
prisão. Em verdade vos digo, dela não saireis, enquanto não
pagardes o último óbolo."
Segundo essas palavras, está bem claro que há uma prisão de Deus, onde se é arrojado por dívidas pras com sua justiça, e donde não se sai - senão quando tudo estiver pago. Nosso Senhor, em São Mateus, disse-nos ainda: "Todo pecado e blasfêmia será perdoado aos homens, porém, a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada, nem neste século nem no futuro". Onde se vê que os outros pecados podem ser perdoados neste século e no futuro, como o livro dos Macabeus diz expressamente dos pecados daqueles que estavam mortos pela causa de Deus. Do mesmo modo, no sacrifício da missa, a santa Igreja de Deus lembra os santos que com Ele reinam no céu, a fim de lhes agradecer pela glória e nos recomendar à sua intercessão. Doutro lado, suplica a deus que se lembre dos servidores e servidoras que nos precederam no outro mundo com a chancela da fé, dignando-se conceder-lhes a estadia no refrigério na luz e na paz. A crença do purgatório e a oração pelos mortos acham-se em todos os doutores da Igreja, bem como nos ato dos mártires, notadamente nos atos de São Perpétuo, escritos por ele mesmo. Todos os santos rogaram pelos mortos. Santo Odilon, abade de Cluny, no século XI, tinha um zelo particular pelo que dizia respeito ao refrigério das almas do purgatório. Foi movido pela compaixão, pensando no sofrimento das almas do purgatório que, adiantando-se à Igreja, ordenou se rogasse pelas almas, tendo, destinado para isso um dia especial. Eis como Santo Odilon animou tal instituição, começando pelas terras que lhes estavam afetas ao sacerdócio. (...)
Quanto ao purgatório, nada de certo se sabe. Eis porém, o que se lê nas revelações de Santa Francisca de Roma, revelações que a Igreja autoriza a crer, sem, entretanto, a elas nos obrigar.
Numa visão, a santa foi conduzida do inferno ao purgatório, que, igualmente está dividido em três zonas ou esferas, uma sobre a outra. Ao entrar, Santa Francisca leu esta inscrição:
Aqui é o purgatório, lugar de esperança, onde se faz um intervalo. A zona inferior é toda de fogo, diferente do inferno, que é negro e tenebroso. Este do purgatório tem chamas grandes, muito grandes e vermelhas. E as almas. Ali, são iluminadas, interiormente, pela graça. Porque conhecem a verdade, assim como a determinação do tempo. Aqueles que tem pecado grave são enviados a este fogo pelos anjos, e aí ficam conforme a qualidade dos pecados que cometeram. A santa dizia que, por cada pecado mortal não expiado, naquele fogo ficaria a alma por sete anos. Embora nessa zona ou esfera inferior as chamas do fogo envolvam todas as almas, atormentam, todavia, umas mais que as outras, segundo sejam mais graves ou mais leves os pecados. Fora esse lugar do purgatório, à esquerda, ficam os demônios que fizeram com que aquelas almas cometessem os pecados que agora expiam. Censuram-nas, mas não lhes infligem quaisquer outros tormentos.
Judas, porém, considerava que uma grande misericórdia estava reservada aos que estão adormecidos na piedade. Santo e piedoso pensamento! Foi por isso que ofereceu um sacrifício de expiação pelos defuntos, para que fossem livres dos pecados. Tais são as palavras e reflexões da Escritura santa, segundo o texto grego, e as mesmas, mais ou menos, no latino. Nosso Senhor mesmo adverte, bastante claramente, que há um purgatório, quando nos recomenda em São Mateis e São Lucas: "Conciliai-Vos com vossos inimigos (a lei de Deus e a consciência) enquanto estais em caminho para irdes ao príncipe, não seja que este ini
Segundo essas palavras, está bem claro que há uma prisão de Deus, onde se é arrojado por dívidas pras com sua justiça, e donde não se sai - senão quando tudo estiver pago. Nosso Senhor, em São Mateus, disse-nos ainda: "Todo pecado e blasfêmia será perdoado aos homens, porém, a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada, nem neste século nem no futuro". Onde se vê que os outros pecados podem ser perdoados neste século e no futuro, como o livro dos Macabeus diz expressamente dos pecados daqueles que estavam mortos pela causa de Deus. Do mesmo modo, no sacrifício da missa, a santa Igreja de Deus lembra os santos que com Ele reinam no céu, a fim de lhes agradecer pela glória e nos recomendar à sua intercessão. Doutro lado, suplica a deus que se lembre dos servidores e servidoras que nos precederam no outro mundo com a chancela da fé, dignando-se conceder-lhes a estadia no refrigério na luz e na paz. A crença do purgatório e a oração pelos mortos acham-se em todos os doutores da Igreja, bem como nos ato dos mártires, notadamente nos atos de São Perpétuo, escritos por ele mesmo. Todos os santos rogaram pelos mortos. Santo Odilon, abade de Cluny, no século XI, tinha um zelo particular pelo que dizia respeito ao refrigério das almas do purgatório. Foi movido pela compaixão, pensando no sofrimento das almas do purgatório que, adiantando-se à Igreja, ordenou se rogasse pelas almas, tendo, destinado para isso um dia especial. Eis como Santo Odilon animou tal instituição, começando pelas terras que lhes estavam afetas ao sacerdócio. (...)
Quanto ao purgatório, nada de certo se sabe. Eis porém, o que se lê nas revelações de Santa Francisca de Roma, revelações que a Igreja autoriza a crer, sem, entretanto, a elas nos obrigar.
Numa visão, a santa foi conduzida do inferno ao purgatório, que, igualmente está dividido em três zonas ou esferas, uma sobre a outra. Ao entrar, Santa Francisca leu esta inscrição:
Aqui é o purgatório, lugar de esperança, onde se faz um intervalo. A zona inferior é toda de fogo, diferente do inferno, que é negro e tenebroso. Este do purgatório tem chamas grandes, muito grandes e vermelhas. E as almas. Ali, são iluminadas, interiormente, pela graça. Porque conhecem a verdade, assim como a determinação do tempo. Aqueles que tem pecado grave são enviados a este fogo pelos anjos, e aí ficam conforme a qualidade dos pecados que cometeram. A santa dizia que, por cada pecado mortal não expiado, naquele fogo ficaria a alma por sete anos. Embora nessa zona ou esfera inferior as chamas do fogo envolvam todas as almas, atormentam, todavia, umas mais que as outras, segundo sejam mais graves ou mais leves os pecados. Fora esse lugar do purgatório, à esquerda, ficam os demônios que fizeram com que aquelas almas cometessem os pecados que agora expiam. Censuram-nas, mas não lhes infligem quaisquer outros tormentos.
Pobres
almas! Fá-las sofrer mais, muito mais, a visão desses demônios do
que o próprio fogo que as envolve. E, com tal sofrimento, gritam e
choram, sem que, neste mundo, consiga alguém fazer uma idéia.
Fazem-no, contudo, humildemente, porque sabem que o merecem, que a
justiça divina está com a razão. São gritos como que afetuosos, e
que lhes trazem certa consolação. Não que sejam afastadas do fogo.
Não, a misericórdia de Deus, tocada por aquela
resignação,
das almas sofredoras, lança-lhes um olhar favorável, olhar que lhes
alivia o sofrimento e lhes deixa entrever a glória da
bem-aventurança, para onde passarão.
Santa Francisca Romana viu um anjo glorioso conduzir aquele lugar a alma que lhe havia sido confiada, à guarda, e esperar do lado de fora, à direita. É que os sufrágios e as boas obras que os parentes, os amigos, ou quem quer que seja, lhes fazem especialmente por intenção da alma, movidos pela caridade, são apresentados, pelos anjos da guarda, à divina majestade. E os anjos, comunicando às almas o que por elas fazemos nós, aliviam-nas, alegram e confortam. Os sufrágios e as boas obras que fazem os amigos, por caridade, especialmente pelos amigos do purgatório, aproveita principalmente a quem os faz, por causa da caridade. E ganham as almas e ganhamos nós. As orações, os sufrágios e as esmolas feitos caridosamente pelas almas que já estão na glória, e que já não necessitam, revertem às almas ainda necessitadas, aproveitando a nós também.
E os sufrágios que se fazem às almas que jazem no inferno? Não os aproveita nem uma nem outra - nem as do inferno, nem as do purgatório, mas unicamente a quem os faz. A zona ou região média do purgatório está dividida em três partes: a primeira, cheia duma neve excessivamente fria; a segunda, de pez fundido, misturado a azeite em ebulição; a terceira, de certos metais fundidos, como ouro e prata, transparentes. Trinta e oito anjos aí recebem as almas que não cometeram pecados tão graves que mereçam a região inferior. Recebem-nas e transportam-nas dum lugar a outro com grande caridade: não lhe são os anjos da guarda, mas outros que, para tal, foram obrigados pela divina misericórdia. Santa Francisca nada disse, ou não a autorizou a dizê-lo o superior, sobre a mais elevada região do purgatório. Nos céus, os anjos fiéis tem sua hierarquia: três ordens e nove coros. As almas santas, que sobem da terra, ficam nos coros e nas ordens que Deus lhes indica, segundo os méritos. É uma festa para toda a milícia celeste, mais particularmente para o coro onde a alma santa deverá regozijar-se eternamente em Deus. O que Santa Francisca viu na bondade de Deus a deixou profundamente impressionada, sem que pudesse falar da alegria que lhe ia no coração. Frequentemente, nos dias de festa, sobretudo depois da comunhão, quando meditava sobre o mistério do dia, o espírito, arrebatado ao céu, via o mesmo mistério celebrado pelos anjos e pelos santos. Todas as visões que tinha, submetia-as Santa Francisca de Roma à Mãe, Santa Igreja. E, pela mesma mãe, a Igreja, foi Francisca canonizada, sem que nada de repreensível se achasse nas visões que tivera. Nós, pois, vos saudamos, ó almas que vos purificais nas chamas do purgatório. Compartilhamos as vossas dores, os sofrimentos, principalmente daquela dor imensa e torturante de não poderdes ver a Deus.
Ai de nós! Sem dúvida que há entre vós parentes nossos e amigos: sofrerão, talvez por nossa culpa. Quem dirá que não lhes demos, nesta ou naquela ocasião, motivos de pecar? Falta-lhes pouco tempo para que se tornem inteiramente puras. Que nos acontecerá, a nós que tão pouco velamos por nós mesmos? Almas santas e sofredoras, que Deus nos livre de vos esquecer jamais!
Todos os dias, à missa e às orações, lembrar-nos-emos de vós todas. Lembrai-vos, pois, também de nós. Lembrai-vos, principalmente, quando estiverdes no céu. Como lá vos desejamos ver! Como no céu desejamos ver-nos convosco! Assim seja.
Santa Francisca Romana viu um anjo glorioso conduzir aquele lugar a alma que lhe havia sido confiada, à guarda, e esperar do lado de fora, à direita. É que os sufrágios e as boas obras que os parentes, os amigos, ou quem quer que seja, lhes fazem especialmente por intenção da alma, movidos pela caridade, são apresentados, pelos anjos da guarda, à divina majestade. E os anjos, comunicando às almas o que por elas fazemos nós, aliviam-nas, alegram e confortam. Os sufrágios e as boas obras que fazem os amigos, por caridade, especialmente pelos amigos do purgatório, aproveita principalmente a quem os faz, por causa da caridade. E ganham as almas e ganhamos nós. As orações, os sufrágios e as esmolas feitos caridosamente pelas almas que já estão na glória, e que já não necessitam, revertem às almas ainda necessitadas, aproveitando a nós também.
E os sufrágios que se fazem às almas que jazem no inferno? Não os aproveita nem uma nem outra - nem as do inferno, nem as do purgatório, mas unicamente a quem os faz. A zona ou região média do purgatório está dividida em três partes: a primeira, cheia duma neve excessivamente fria; a segunda, de pez fundido, misturado a azeite em ebulição; a terceira, de certos metais fundidos, como ouro e prata, transparentes. Trinta e oito anjos aí recebem as almas que não cometeram pecados tão graves que mereçam a região inferior. Recebem-nas e transportam-nas dum lugar a outro com grande caridade: não lhe são os anjos da guarda, mas outros que, para tal, foram obrigados pela divina misericórdia. Santa Francisca nada disse, ou não a autorizou a dizê-lo o superior, sobre a mais elevada região do purgatório. Nos céus, os anjos fiéis tem sua hierarquia: três ordens e nove coros. As almas santas, que sobem da terra, ficam nos coros e nas ordens que Deus lhes indica, segundo os méritos. É uma festa para toda a milícia celeste, mais particularmente para o coro onde a alma santa deverá regozijar-se eternamente em Deus. O que Santa Francisca viu na bondade de Deus a deixou profundamente impressionada, sem que pudesse falar da alegria que lhe ia no coração. Frequentemente, nos dias de festa, sobretudo depois da comunhão, quando meditava sobre o mistério do dia, o espírito, arrebatado ao céu, via o mesmo mistério celebrado pelos anjos e pelos santos. Todas as visões que tinha, submetia-as Santa Francisca de Roma à Mãe, Santa Igreja. E, pela mesma mãe, a Igreja, foi Francisca canonizada, sem que nada de repreensível se achasse nas visões que tivera. Nós, pois, vos saudamos, ó almas que vos purificais nas chamas do purgatório. Compartilhamos as vossas dores, os sofrimentos, principalmente daquela dor imensa e torturante de não poderdes ver a Deus.
Ai de nós! Sem dúvida que há entre vós parentes nossos e amigos: sofrerão, talvez por nossa culpa. Quem dirá que não lhes demos, nesta ou naquela ocasião, motivos de pecar? Falta-lhes pouco tempo para que se tornem inteiramente puras. Que nos acontecerá, a nós que tão pouco velamos por nós mesmos? Almas santas e sofredoras, que Deus nos livre de vos esquecer jamais!
Todos os dias, à missa e às orações, lembrar-nos-emos de vós todas. Lembrai-vos, pois, também de nós. Lembrai-vos, principalmente, quando estiverdes no céu. Como lá vos desejamos ver! Como no céu desejamos ver-nos convosco! Assim seja.
(Vida
dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p.111 à 118 e 129 à
137)
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Concentração Estadual da Legião de Maria...
Realizada no dia 09/09 em
Urussanga, com a presença dos legionários de todos o estados, filiados
a Régia de Lages. Estavam presente na celebração da Santa Missa o Bispo Dom Jacinto Inacio Flach e os padres da igreja matriz de Urussanga.
sábado, 1 de setembro de 2018
A Natividade de Maria - 08 de setembro...
O nascimento de Maria Santíssima traz ao mundo o anuncio jubiloso de
uma boa nova: a Mãe do Salvador já está entre nós. Ele é o alvorecer prenunciativo de nossa salvação, o início histórico da
obra da Redenção.
uma boa nova: a Mãe do Salvador já está entre nós. Ele é o alvorecer prenunciativo de nossa salvação, o início histórico da
obra da Redenção.
E "como celebraremos o nascimento de Maria?"
Essa pergunta, feita por São Pedro Damião em seu "Segundo Sermão sobre a Natividade de Nossa Senhora", ainda surge hoje quando se trata de comemorar essa solenidade. O acontecimento é grande demais. E assim o santo justificou sua perplexidade:
"Às trevas do paganismo e à falta de fé dos judeus, representadas pelo templo de Salomão, sucede o dia luminoso no templo de Maria. É justo, portanto, cantar este dia e Aquela que nele nasceu. Mas como poderíamos celebrá-la dignamente? Podemos narrar as façanhas heroicas de um mártir ou as virtudes de um santo, porque são humanas. Mas como poderá a palavra mortal, passageira e transitória exaltar Aquela que deu à luz a Palavra que fica? Como dizer que o Criador nasce da criatura?"
Por ocasião do nascimento de Maria, as trevas desaparecem, o céu recobre-se
de cores festivas, toda a natureza se enche de júbilo: Jesus ainda não aparece,
mas seus primeiros raios resplandecem em Maria, como numa
aurora de graça e amor
Uma Festa de Alegria
Está inteiramente de acordo com o espírito da Igreja festejar com alegria a Festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria. Sua comemoração é feita no dia 8 de Setembro. "A celebração de hoje é para nós o começo de todas as festas", afirma o Calendário Litúrgico Bizantino. O nascimento de Maria Santíssima traz ao mundo o anuncio jubiloso de uma boa nova: a mãe do Salvador já está entre nós. Ele é o alvorecer prenunciativo de nossa salvação, o início histórico da obra da Redenção.
São Pedro Damião afirma em sua homilia para essa festa:
"Deus onipotente, antes que o homem caísse, previu a sua queda e decidiu, antes dos séculos, a redenção humana. Decidiu Ele encarnar-se em Maria." "Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Casa linda, porque, se a Sabedoria constrói uma casa com sete colunas trabalhadas, este palácio de Maria está alicerçado nos sete dons do Espírito Santo. Salomão celebrou de modo soleníssimo a inauguração de um templo de pedra. Como celebraremos o nascimento de Maria, templo do Verbo encarnado? Naquele dia a glória de Deus desceu sobre o templo de Jerusalém sob forma de nuvem, que o obscureceu.
O Senhor que faz brilhar o sol nos céus, para a sua morada entre nós escolheu a obscuridade (1Rs 8,10-12), disse Salomão na sua oração a Deus. Este mesmo templo estará repleto pelo próprio Deus, que vem para ser a luz dos povos."
***
A Natividade de Maria era celebrada no Oriente católico muito antes de ser instituída no Ocidente. Ela tem provavelmente sua origem em Jerusalém, em meados do século V. Foi em Jerusalém que se manteve viva a tradição que a Virgem teria nascido junto à Porta da Piscina Probática.
São Joaquim, seu pai, e Nossa Senhora menina
Nessa festa o mundo católico admira Nossa Senhora como sendo Ela a aurora que anuncia o Sol de justiça que dissipa as trevas do pecado. Nela, a Igreja convida a "contemplarmos uma menina como todas as outras, e que ao mesmo tempo é única, pois, Ela é a "bendita entre todas as mulheres" (Lc 1, 42), a Imaculada "filha de Sião", destinada a tornar-se a Mãe do Messias".(João Paulo II, Audiência de 8/9/2004).
Alegria até para os Anjos
A alegria nas comemorações da festa litúrgica do nascimento de Nossa Senhora é justificadamente incentivada a todos, até aos anjos:
"Alegrem-se os Patriarcas do Antigo Testamento que, em Maria, reconheceram a figura da Mãe do Messias. Eles e os justos da Antiga Lei aguardavam há séculos, serem admitidos na glória celeste pela aplicação na fé dos méritos de Cristo, o bendito fruto da Virgem Maria.
"Alegrem-se todos os homens porque o nascimento da Virgem veio anunciar-lhes a aurora do grande dia da libertação pela qual aspiram todos os povos. Alegrem-se todos os anjos porque neste dia foi-lhes dada pela primeira vez a ocasião de reverenciar a sua futura Rainha." (Lehmann, P. JB. Na luz Perpétua, 1959 p.268).
Só no Céu houve Festa
Ainda que sendo Maria a "Virgem bela e Gloriosa" que Deus amou com predileção desde a sua eternidade, desde toda a Criação como sua obra-prima, enriquecida das graças mais sublimes e elevada à excelsa dignidade de Mãe de Deus, (Patriarca Fócio, Homilia sobre a Natividade,PG 43) visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria.
Os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos Evangelistas. Só no Céu houve Festa, pois o Filho de Deus vê sua Mãe nascer.
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Maria, santa desde o primeiro instante de sua vida
Maria, santa desde o primeiro instante de sua vida
Os Santos e outros abalizados autores, de diversas maneiras exprimiram essa doutrina. Em um de seus arrebatadores sermões dedicados a Nossa Senhora, São Tomás de Villanueva ensina: "Era necessário que a Mãe de Deus fosse também puríssima, sem mancha, sem pecado. E assim não apenas quando donzela, mas em menina foi santíssima, e santíssima no seio de sua mãe, e santíssima em sua concepção. Pois não convinha que o santuário de Deus, a mansão da Sabedoria, o relicário do Espírito Santo, a urna do maná celestial, tivesse em si a menor mácula. Pelo que, antes de receber aquela alma santíssima, foi completamente purificada a carne até do resíduo de toda mancha, e assim, ao ser infundida a alma, não herdou nem contraiu pela carne mancha alguma de pecado, como está escrito: "Fixou sua habitação na paz" (Sl. LXXV, 3). Quer dizer, a mansão da divina Sabedoria foi construída sem a inclinação para o pecado.
"A gloriosa Virgem não apenas foi preservada do pecado original em sua concepção, como foi também adornada da justiça original e confirmada em graça desde o primeiro momento de sua vida, segundo muitos eminentes teólogos, a fim de ser mais digna de conceber e dar à luz o Salvador do mundo. Privilégio que jamais foi concedido a criatura alguma humana nem angélica, pertencendo somente à Mãe do Santo dos Santos, depois de seu Filho Jesus […]
"Todas as virtudes, com todos os dons e frutos do Espírito Santo, e as oito bem-aventuranças evangélicas se encontram no coração de Maria desde o momento de sua concepção, tomando inteira posse e estabelecendo n'Ela seu trono num grau altíssimo e proporcionado à eminência de sua graça".
Santa Ana, sua mãe, e Nossa Senhora menina
"Santo Afonso de Ligório, por sua vez, comenta: "A nossa celeste menina, tanto por causa de seu ofício de medianeira do mundo, como em vista de sua vocação para Mãe do Redentor, recebeu, desde o primeiro instante de sua vida, graça mais abundante que a de todos os Santos reunidos. E que admirável espetáculo para o Céu e para a Terra, não seria a alma dessa bem-aventurada menina, encerrada ainda no seio de sua mãe! Era a criatura mais amável aos olhos de Deus, pois que, já cumulada de graças e méritos, podia dizer: 'Quando era pequenina agradei ao Altíssimo'. E ao mesmo tempo era a criatura mais amante de Deus, de quantas até então haviam existido.
"Houvera, pois, nascido imediatamente após a sua Imaculada Conceição, e já teria vindo ao mundo mais rica em méritos e mais santa do que toda a corte dos Santos. Imaginemos, agora, quanto mais santa nasceu a Virgem, vendo a luz do mundo só depois de nove meses, os quais passou adquirindo novos merecimentos no seio materno!"
"Preciosa pérola no seio de Sant'Ana "
Com seu gracioso estilo, o Pe. Manuel Bernardes nos apresenta Maria no seio materno sempre santa: "Uma pérola deu a Rainha Cleópatra a Marco Antônio, que se avaliava em muitos mil talentos. Em quanto avaliaremos nós esta pérola animada, que se formou na concha do ventre de Sant'Ana? Há nas Índias pérolas, que, em razão de sua diferente grandeza e figura, se chamam pérolas Ave Marias e pérolas Padre-nossos. Ó que ricas Índias se descobrirão hoje na casa da gloriosíssima e felicíssima matrona Sant'Ana, donde nos veio tal pérola Ave Maria, que nos deu tal pérola Padre Nosso? Por certo que ainda que todo o firmamento fora um livro (como o considera São João no Apocalipse), e se escrevesse todo de letras de algarismo, não somariam o valor destas duas pérolas. Porque, enfim, como dizíamos, e é certo, tudo o que devemos a Cristo Filho de Deus, devemos por conseguinte a Maria, escolhida para Mãe de Deus, e que foi a que deu pés a Deus, para andar com os homens na Terra".
"Como fecho dos comentários ao presente louvor, ouçamos estas ardorosas palavras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:
"Porque concebida sem pecado original, Nossa Senhora, afirmam os teólogos, foi dotada do uso da razão desde o primeiro instante de seu ser. Portanto, já no ventre materno Ela possuía altíssimos e sublimíssimos pensamentos, vivendo no seio de Sant'Ana como num verdadeiro tabernáculo.
"Temos uma confirmação indireta disso no que narra a Sagrada Escritura (Lc. I, 44) a respeito de São João Batista. Ele, que fora engendrado no pecado original, ao ouvir a voz de Nossa Senhora saudando Santa Isabel, estremeceu de alegria no seio de sua mãe.
A Igreja convida a contemplarmos uma menina como todas as outras, e que ao mesmo tempo é única, pois, Ela é a "bendita entre todas as mulheres " (Lc 1, 42), a Imaculada "filha de Sião, destinada a tornar-se a Mãe do Messias"(Beato João Paulo II, Audiência de 8/9/2004)
"Assim, pode-se acreditar que a Bem-aventurada Virgem, com a altíssima ciência que recebera pela graça de Deus, já no seio de Sant'Ana começou a pedir a vinda do Messias e, com Ele, a derrota de todo mal no gênero humano. E desde o ventre materno se estabeleceu, com certeza, no espírito de Maria, aquele elevadíssimo intuito de vir a ser, um dia, a servidora da Mãe do Salvador.
"Na realidade, por essa forma Nossa Senhora já começava a influir nos destinos da humanidade. Sua presença na Terra era uma fonte de graças para todos aqueles que d'Ela se aproximavam na sua infância, ou mesmo quando ainda se encontrava no seio de Sant'Ana. Pois se da túnica de Nosso Senhor - conta o Evangelho (Lc. VIII, 44-47) - se irradiavam virtudes curativas para quem a tocasse, quanto mais da Mãe de Deus, Vaso de Eleição!
"Por isso, pode-se dizer que, embora fosse Ele criancinha, já em seu natal graças imensas raiaram para a Humanidade". ("Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP; "Pequeno Ofício da Imaculado Conceição").
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