sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Maria, modelo da Igreja orante


A Virgem Maria é modelo da Igreja orante, que sustenta espiritualmente a sua atividade pastoral e missionária.
A Virgem Maria, modelo da Igreja oranteA Santíssima Virgem Maria é modelo da Igreja orante, que sustenta espiritualmente a sua atividade pastoral e missionária. Maria, a alma orante da Igreja, esteve presente antes mesmo do início da missão dos Apóstolos e discípulos de Jesus Cristo. Deus manifestou solenemente o mistério da salvação humana com a vinda do Espírito prometido por Cristo: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1, 8). À espera do cumprimento da promessa, antes do dia de Pentecostes, os Apóstolos “perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres, entre elas, Maria, mãe de Jesus” (At 1, 14).
Maria implorava, com as suas orações, o dom do Espírito, que já havia descido sobre ela na Anunciação (cf. Lc 1, 35). “Entre ela e o Espírito Santo há uma ligação objetiva e indestrutível, que é o próprio Jesus que juntos geraram” (Ranieno Cantalamessa, Maria, um espelho para a Igreja, p. 129). No cenáculo em Jerusalém, Nossa Senhora, que foi batizada pelo Espírito na mistério da Encarnação do Verbo, apresenta a Igreja para o batismo no Espírito, conforme a promessa de Jesus: “João batizou com água; vós, porém, dentro de poucos dias sereis batizados com o Espírito Santo” (At 1, 5).
Nas cartas dos apóstolos, ficamos intrigados com a ausência de passagens bíblicas que mencionem a Mãe do Senhor. Depois da narrativa dos Atos dos Apóstolos (cf. At 1, 14), da Mãe de Jesus não encontramos nenhuma menção. Na carta aos Romanos, encontramos certa Maria, que não é a Mãe do Senhor (cf. Rm 16, 6). A Virgem Maria desaparece no mais profundo silêncio. “Depois de Pentecostes, é como se ela tivesse entrado para a clausura” (Idem, p. 130). A vida de Maria “está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3, 3).
O silêncio de Nossa Senhora inaugura um novo tempo na Igreja. “Maria inaugurou na Igreja aquela segunda alma, ou vocação, que é a alma escondida ou orante, ao lado da alma apostólica ou ativa” (Idem, p. 131). Depois do Pentecostes, os Apóstolos começam a pregar, depois partem em missão, fundando e dirigindo igrejas (cf. At 2, 14ss). A respeito de Maria nada se fala, pois ela permanece “em oração unida com as mulheres no Cenáculo, mostrando que na Igreja a atividade, mesmo pelo Reino, não é tudo, sendo indispensáveis as almas orantes que a sustentam. Maria é o protótipo desta Igreja orante” (Idem, p. 131).
Assim, como nos inícios da Igreja, todos nós cristãos somos chamados a nos unir em oração a Nossa Senhora, modelo exemplar da Igreja que reza, especialmente nestes tempos difíceis que vivemos, marcados pelo ódio, pela violência, pelas guerras, pelo sofrimento. Nos unamos a Virgem Maria, modelo da Igreja orante, para sustentar espiritualmente a atividade da missionária e pastoral da Igreja. Oremos também pelos cristãos do mundo inteiro, especialmente aqueles que vivem em lugares como a Síria e o Egito, onde os cristãos são perseguidos e mortos. Rezemos pela paz no mundo, pelo fim das guerras, da violência do sofrimento causado pelo ódio e pela intolerância. Nossa Senhora Rainha da Paz, rogai por nós!

Maria, coração que ama!




A Virgem Maria é o coração amoroso e orante da Igreja,
que não se vê, mas tudo move.
A Virgem Maria é o coração amoroso e orante, que não se vê, mas tudo move.A Santíssima Virgem Maria é este coração orante e amoroso que se fez presente desde os inícios da Igreja. Antes do Pentecostes, a Mãe da Igreja já estava presente juntamente com os apóstolos e discípulos de Jesus (cf. At 1, 14). No Cenáculo em Jerusalém, Virgem de Pentecostes perseverava em oração junto com a comunidade, à espera da vinda do Espírito prometido (cf. At 1, 5). Esta presença orante e amorosa de Maria na Igreja nascente tem muito a nos ensinar. O ícone da Ascensão de Jesus ao Céu fixa o momento da ida do Senhor à glória celeste, mas também nos mostra qual é o carisma e o lugar de Maria no tempo da Igreja. A Virgem está de pé, com os braços abertos em atitude orante, isolada do restante da cena pela figura dos dois anjos em vestes brancas. Ao redor dela, os Apóstolos estão com um pé ou uma mão levantados, em movimento, representando a Igreja ativa, que está em missão, que fala e age. “Maria está imóvel, debaixo de Jesus, no ponto exato de onde ele subiu, quase como para manter viva a sua memória e a sua espera” (Ranieno Cantalamessa, Maria, um espelho para a Igreja, p. 131).
Para entender o carisma de Maria, nos voltamos para a vocação de Teresinha do Menino Jesus. Tendo contato com a vocação de Paulo e com a sua descrição dos carismas, ela teria desejado ser apóstolo, sacerdote, mártir. Tais desejos a perturbavam constantemente, até que ela fez uma descoberta: “o corpo de Cristo tem um coração, que move todos os membros e sem o qual tudo pararia. E no auge de sua alegria exclamou: ‘No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e assim serei tudo!’ O que descobriu Teresa naquele dia? Descobriu a vocação de Maria. Ser, na Igreja, o coração que ama, o coração que ninguém vê, mas que move tudo” (Idem, p. 131).
A importância de Nossa Senhora para a Igreja está justamente porque ela é o coração daquela oração comum e perseverante (cf. At 1, 14), que ultrapassa aquele pequeno grupo dos apóstolos e discípulos. Jesus tinha ligado o dom do Espírito Santo com a oração: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu saberá dar o Espírito Santo aos que lhe pedirem!” (Lc 11, 13). O Senhor ligou a vinda do Espírito com a nossa oração, mas também e principalmente com a Sua oração: “E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor” (Jo 14, 16a).
Através desses textos da Sagrada Escritura, concluímos que a dimensão pneumatológica (que diz respeito ao Espírito) na oração na Igreja está sempre ligada a Cristo e à comunidade orante reunida com a Virgem Maria. “A oração dos apóstolos, reunidos no Cenáculo com Maria, é a primeira grande epiclese (invocação do Espírito), é a inauguração da dimensão epiclética da Igreja, daquele ‘Vem, Espírito Santo’ que continuará a ressoar na Igreja por todos os séculos e que a liturgia irá antepor a todas as suas ações mais importantes” (Idem, p. 137).
Assim, a Virgem Maria é o coração amoroso e orante da Igreja, que clama pelo envio do Espírito Santo. Maria é o coração que ama, por isso se faz presente em nossas comunidades, especialmente nos momentos de oração e na liturgia. Unidos a Nossa Senhora, em comunhão com toda a Igreja, rezemos confiantes e perseverantes, pedindo um novo batismo no Espírito (cf. At 1, 5). A Igreja começou sua missão com a comunidade reunida em perseverante oração com a Virgem Maria (cf. At 1, 14) e do mesmo modo deve continuar, até a segunda vinda de Cristo. Vem, Senhor Jesus! (cf. Ap 22, 20).

Natal é a festa do mistério do amor


Há algo diferente na atmosfera: todos sabem que o Natal está chegando! Nossas caixas de mensagens eletrônicas de enchem de apresentações e textos com desejos e textos que dizem sobre muitas coisas, mas raramente trazem em seu conteúdo o que realmente significa o Natal. Vamos espalhar mensagens que anunciem o Natal de Jesus Cristo com toda a verdade do evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus… E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 1 e 14). Mas, que Verbo é esse? Que Palavra é essa? Mais adiante, o próprio João dará a resposta: “Deus é amor.” (I São João 4,8) Por isso, com o nascimento de Jesus “Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco.”(I São João 4,16)

Natal é a festa do Amor
Se quisermos celebrar bem o Natal, precisamos abrir o coração para o mistério do amor. Padre Kentenich reflete sobre as palavras de João, no evangelho e diz: “O mistério da manjedoura é um mistério do amor. O Pai me ama: é isto o que a manjedoura me diz. Por amor, Ele quis que o seu Unigênito se tornasse homem, por amor Ele quis que eu me tornasse sua imagem e para que Ele pudesse me amar no Deus-Homem e eu pudesse, com o Salvador retribuir-lhe o amor.”
A melhor preparação para a festa do Natal, portanto, é saborear o amor de Deus! É verdade que vivemos em um mundo repleto de violências e desamor, mas tudo isso não pode ser impedimento para ver e agradecer o amor atuante de Deus em nossa vida. Se não fizéssemos isso, seria como olhar para uma obra de arte e criticar apenas as falhas da tela criadas pela sombra no local em que está exposta, sem valorizar a obra prima do artista que a executou. Há o amor de Deus pairando e conduzindo toda a história do mundo! Seria um desastre se não fosse assim!
Há um amor infinito de Deus que habita entre nós! Precisamos nos deixar guiar pela estrela a fim de encontrá-lo! Nós o veremos como viram os reis magos: “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe!” (Mt 1, 11)
Deixe-se guiar pela estrela! Entre física e espiritualmente em sua casa, em seu Santuário, abra a janela do coração e, com Maria, agradeça todas as manifestações do amor do Pai em sua vida e na de sua família no decorrer desse ano.
O Pai quer ser amado por mim, continua Pe. Kentenich, e eu devo ser, em seu Unigênito, objeto de seu amor paternal. Mas, também o Filho de Deus conhece o mistério do meu coração. Ele sabe que eu posso amar mais profundamente quando eu sei que sou envolvido de amor. Por isso Ele vem ao meu encontro nesta cativante forma de criança. Por meu amor Ele assumiu esta forma. Ele quer me conquistar, me prender a si em amor e me arrebatar consigo ao coração do Eterno Pai.”
Quando, na Escola de Maria, reconheço o amor do Pai que veio a mim por meio de fatos concretos, minha atitude não pode ser senão amá-lo ainda mais. Então, o meu batismo se concretiza, pois, em mim o Filho ama o Pai! Realiza-se o meu encontro pessoal com Cristo, como insiste o Papa Bento XVI, e desse encontro pessoal com Jesus, nasce e se fortalece o seu discípulo e missionário!
Seria muito belo, se na Noite Santa, nos aproximássemos do presépio com uma cartinha ao Menino Jesus. Nela podemos colocar nossa gratidão e reconhecimento pelas manifestações do amor do Pai que reconhecemos neste ano de 2008. Os pedidos serão então, não uma expressão do quanto nos falta, mas da alegre confiança que o Pai proverá também no futuro tudo o que precisamos.
Na escola de Maria Pe. Kentenich mostra ainda que “diante da manjedoura nós vemos também a bendita entre as mulheres, nossa querida Mãe e Rainha. Também ela, por amor ao Pai, por amor ao Filho, por amor a mim, pronunciou o seu Fiat. Ela o pronunciou apesar de suspeitar o quanto este sim lhe traria sofrimentos. Também ela me ama e quer ser amada por mim com amor de retribuição.”
Diante de tão boa Mãe, podemos colocar nosso coração sem reservas! Ela me ama e quer ajudar-me a, em Cristo e no Espírito Santo, amar o Pai! Depositemos em seu coração nossa agenda de 2009. Ela toma nossa mão e escreve em cada data do novo ano: “Faça-se em mim, segundo a sua vontade!” (Lc 1,38) Ela nos mergulha em sua confiança sem reservas no amor do Pai e nos toma pela mão para que também façamos, com alegria, a nossa parte e possamos reconhecer diariamente: “O Senhor fez em mim maravilhas!” (Lc 1,49)
Nos dias que antecedem a festa do Natal, tire um momento para estar sozinho com Deus, no silencio, diante do tabernáculo, e responda a pergunta do Pe. Kentenich:
Nós estamos realmente convictos de que um amor divino nos envolve e nos
abrange pessoalmente?”

Ele nos estimula a responder essa pergunta: “É preciso que nos tornemos conscientes de que diante de Deus não somos um número. Deus ama a cada um de nós bem pessoalmente, quase quisera dizer, como se um estivesse aqui sozinho. Este amor se demonstrou não só cada dia, erguendo um monumento no passado, mas ele se tornará visível cada dia de novo na história de nossa Família e na nossa história pessoal de vida.”
Se voltarmos nosso coração para esse amor, então, com certeza, nosso Natal será realmente feliz, pois será um Natal no amor do Pai! Então, em cada dia do novo ano, podemos ser para muitas pessoas uma estrela que conduz a Cristo, um sinal do amor do Pai em suas vidas!
Ir. M. Nilza P. da Silva

Evangelho do dia _ A parábola do administrador desonesto. - Lc 16,1-8


Depois, Jesus falou ainda aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: ‘Que ouço dizer a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’. O administrador, então, começou a refletir: ‘Meu senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar não tenho força; de mendigar tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’. Então chamou cada um dos que estavam devendo ao seu senhor. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’ Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!’ O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve: cinquenta!’ Depois perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem sacas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve: oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque agiu com esperteza. De fato, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Eucaristia



É o sacramento pelo qual participamos, com toda a comunidade, do próprio sacrifício do Senhor na Cruz. Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, ligam-se à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam, pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa.
A Eucaristia significa e realiza a comunhão de vida com Deus e a unidade do povo de Deus. Une a ação, pela qual Deus santifica o mundo em Cristo, e o culto que prestamos a Cristo, no Espírito Santo, e por Cristo, ao Pai. Pela Celebração Eucarística já nos unimos à liturgia do céu e antecipamos a vida eterna, quando Deus será tudo em todos. A Eucaristia é o resumo de nossa fé. Os nomes que damos à Eucaristia:

          1. Ação de Graças.
    2. Ceia do Senhor: trata-se da ceia que o Senhor fez com seus discípulos na véspera de sua paixão, e da antecipação das bodas do Cordeiro na Jerusalém Celeste.

    3. Fração do Pão: porque esse rito, próprio da refeição judaica, foi utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão como presidente da mesa, sobretudo por ocasião da Última Ceia. Quer dizer que todos comem do único pão partido, o Cristo, entram em comunhão com ele e já não formam senão um só corpo nele.
    4. Assembleia Eucarística: porque a Eucaristia é celebrada na assembleia dos fiéis, expressão visível da Igreja.
    5 . Memorial da Paixão e da Ressurreição do Senhor.
    6. Santo Sacrifício: porque atualiza o único sacrifício de Cristo Salvador e inclui a oferenda da Igreja; ou também o santo sacrifício da Missa, "sacrifício de louvor", sacrifício espiritual, sacrifício puro e santo, pois realiza e supera todos os sacrifícios da Antiga Aliança.
    7. Santa e divina Liturgia: porque toda a liturgia da Igreja encontra o seu centro e sua expressão mais densa na celebração desse sacramento; também chamado, nesse sentido, de Santos Mistérios. Também: Santíssimo Sacramento, porque é o sacramento dos sacramentos. Colocamos esse nome nas espécies eucarísticas guardadas no tabernáculo.
    8. Comunhão: porque é por esse sacramento que nos unimos a Cristo, que nos torna participantes do seu Corpo e do seu Sangue para formarmos um só corpo. Também, nesse sentido, chamado de "as coisas santas", dando o primeiro sentido da "Comunhão dos Santos" do Credo.
    9. Santa Missa: porque a liturgia na qual se realizou o mistério da salvação termina com o envio dos fiéis (missio) para que cumpram a vontade de Deus na sua vida cotidiana.

    Encontram-se no centro da celebração da Eucaristia o pão e o vinho, os quais, pelas palavras de Cristo e pela invocação do Espírito Santo, tornam-se o Corpo e o Sangue de Cristo. Fiel à ordem do Senhor, a Igreja continua fazendo, em sua memória, até à sua volta gloriosa, o que ele fez na véspera de sua paixão.
Ao se tornarem misteriosamente o Corpo e o Sangue de Cristo, os sinais do pão e do vinho continuam a significar também a bondade da criação. Na Antiga Aliança o pão e o vinho são oferecidos em sacrifício entre as primícias (= primeiros frutos) da terra, em sinal de reconhecimento ao Criador.
No êxodo eles recebem um novo significado: os pães ázimos que Israel come cada ano na Páscoa comemoram a pressa da partida libertadora do Egito; a recordação do maná do deserto há de lembrar sempre a Israel que ele vive do pão da Palavra de Deus. Jesus instituiu a sua Eucaristia dando um sentido novo e definitivo à bênção do Pão e do Cálice. Outros símbolos da Eucaristia são o milagre da multiplicação dos pães e a água transformada em vinho em Cana. Acolher na fé o dom da Eucaristia do Senhor é acolher a ele mesmo. Vejam melhor a instituição da Eucaristia na própria Bíblia.

Leiam Lc 22,7-20; Mt 26,17-29; Mc 14,12-25; 1Cor 11,23-30; At 2,42-46.

Entre os primeiros cristãos, por exemplo, era principalmente no domingo, o dia da Ressurreição de Jesus, que os cristãos se reuniam "para partir o pão" (At 20,7). Ela continua sendo o centro da vida da Igreja. O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício. "É uma só e mesma vítima, é o mesmo que oferece agora pelo ministério dos sacerdotes, que se ofereceu a si mesmo então na cruz. Apenas a maneira de oferecer é diferente." Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo torna-se também o sacrifício dos membros de seu Corpo. A vida dos fiéis, seu louvor, seu sofrimento, sua oração, seu trabalho são unidos aos de Cristo e à sua oferenda total, e adquirem assim um valor novo. O sacrifício de Cristo presente no altar dá a todas as gerações de cristãos a possibilidade de estarem unidos à sua oferta.

No santíssimo sacramento da Eucaristia estão contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo. A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura também enquanto subsistirem as espécies eucarísticas. Cristo está presente inteiro em cada uma das partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo. Devido a esse tão grande mistério da presença de Cristo é que devemos fazer a genuflexão sempre que entramos e saímos da igreja, onde há o sacrário com a sagrada comunhão, e respeitarmos o ambiente da igreja. Devemos comungar sempre que participarmos da Santa Missa, se estivermos preparados. O católico é obrigado a ir à Missa todos os domingos, ou no sábado, quando não der no domingo. Quanto aos frutos da comunhão: Ela aumenta a nossa união com Cristo, separa-nos do pecado, preserva-nos dos pecados mortais futuros, promove a união nossa enquanto Igreja, compromete-nos com os pobres, promove a unidade dos cristãos.

Quanto às partes da Missa:

A. Ritos iniciais: A procissão de entrada do padre e ministros, a saudação inicial do padre, comentários iniciais, ato penitenciai, glória, oração inicial.

B. Liturgia da Palavra: Uma leitura do Antigo Testamento, um salmo, uma leitura do Novo Testamento (no Tempo Pascal ambas as leituras são do Novo Testamento), a aclamação, o Evangelho, a homilia do padre, o creio, a oração da comunidade.C. Liturgia eucarística: A preparação das oferendas, a oração sobre as oferendas, o prefácio, a oração Eucarística.

D. Rito da Comunhão: O Pai-nosso e orações complementares, a comunhão, a Ação de Graças, a oração após a comunhão.

E. Ritos finais: O canto final, a bênção, a despedida do padre.

O Sinal da Cruz


"O Verbo se fez Carne e habitou entre nós". "Veio para o que era seu e os seus não O receberam" E Ele foi crucificado. Por isso, o sinal do cristão é o sinal da cruz. É pelo Batismo que nos tornamos cristãos. Somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Somos batizados em nome da Santíssima Trindade. Por isso o sinal da cruz é uma profissão de fé. Fé na Santíssima Trindade, fé no mistério da Encarnação e da Redenção.
O sinal da cruz deve ser bem feito. Com consciência, com fé e amor. Pois é um ato bonito e faz bem a quem o faz e aos outros também. O nosso primeiro ato, ao despertar, deve ser o sinal da cruz, pois é um gesto de confiança e amor, e a noite, adormeçamos sentindo a força de sua proteção. Façamo-lo antes de sair de casa, antes de qualquer trabalho, nas horas difíceis e nas horas de alegria também.

O sinal da cruz é feito da seguinte forma: com a mão direita, levando-a da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito, pronunciando-se, ao mesmo tempo: "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém." Isto significa benzer-se.

Persignar-se é, com o polegar direito, fazer um pequeno sinal da cruz na TESTA, outro na BOCA e outro no PEITO, enquanto se pronuncia: "Pelo sinal da santa cruz, livrai-nos Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos". Nossos inimigos, quase sempre, estão dentro de nossa cabeça, como também em nossa própria boca e coração.

A cruz na TESTA nos deve levar a bons pensamentos, puros e nobres.

A cruz na BOCA é para nos livrar da gula, do excesso de apego a coisas inferiores, como, também, preservar nossa língua de toda a maldade e toda a mentira. A língua é uma arma de dois gumes, pois com ela você pode ferir, humilhar, difamar, envergonhar, esmagar, caluniar e matar. Mas com a língua você pode também, ensinar, orientar, animar, consolar, pacificar, abençoar e salvar. Nós somos livres para usa-la.

Outra passagem relacionada ao assunto é o Salmo que diz: "O justo meditará a sabedoria e sua língua falará segundo a justiça; a lei do Senhor está no seu coração". Ai esta a síntese de uma vida cristã, marcada pelo sinal da cruz. ("Justiça", na Sagrada Escritura, é sinônimo de santidade).

A Cruz no CORAÇÃO, nos deve levar a ter um coração regido pela lei do Senhor, lei que Santo Agostinho tenta resumir nesta frase: "Ama e faze o que quiseres". Mas cuidado, muitos falam de amor, inclusive os que confundem amor com luxúria, liberdade com libertinagem, paz com acomodação, equilíbrio com mediocridade.

Santo Agostinho disse aquela frase ("Ama e faze o que quiseres"), admitindo um caráter em que a parte espiritual domine. Esta frase se aplica a pessoas inteiramente libertas, libertas pela submissão à Lei do Senhor, à Lei do Senhor que nos pede um coração puro. O Evangelho diz: "Onde está o teu tesouro, está o teu coração". Por isso procuremos "tesouros que as traças não destroem". Se somos cristãos, procuremos "as coisas do alto". E guardemos puro o nosso coração, "pois dele vêm as fontes da vida". E, então, a nossa capacidade de amar será dilatada. E veremos como é bom ser bom.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Hermana Glenda _ Maria

O papel de Maria na Igreja



Deus quis que recebêssemos tudo por Maria, diz São Bernardo. De fato, por Ela nos veio o Salvador e tudo o mais. Sem dúvida o papel preponderante de Maria na vida da Igreja é o de Mãe. A Igreja, como o Cristo, nasce no seu regaço: “Todos unidos pelo mesmo sentimento, entregavam-se assiduamente à oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus e de Seus irmãos”(At 1,14).

Neste quadro de Pentecostes São Lucas destaca a pessoa de Maria, a única que é recordada com o próprio nome, além dos apóstolos. Ela promove na Igreja nascente, a perseverança na oração e a concórdia no amor. É o papel de mulher e de Mãe. São Lucas também faz questão de apresentar explicitamente Maria como “a mãe de Jesus” (At. 1,14), como que a dizer que algo da presença do Filho, que subiu ao céu, permanece na presença da Mãe. 
Diz o nosso Papa: “Ela recorda aos discípulos o rosto de Jesus e é, com a sua presença no meio da Comunidade, o sinal da fidelidade da Igreja a Cristo Senhor.” (58 Catequeses do Papa, Ed. Cléofas)
Ela que cuidou de Jesus, passa agora a cuidar da Igreja, o Corpo Místico do Seu Filho. Desde o começo Maria exerce o seu papel de “Mãe da Igreja”. Com essas palavras pronunciadas na Cruz: “Mulher, eis aí o teu filho” (Jo 19, 26), Jesus lhe dá função de Mãe universal dos crentes. Disse o Concílio Vaticano II que Maria é “para nós mãe na ordem da graça” (cf. LG 21), e destaca que a sua maternidade espiritual não se limita só aos discípulos, mas a toda a Igreja. Entregando-a ao discípulo amado como mãe, Jesus quis também indicar-nos o exemplo de vida cristã a imitar. Se Cristo no-la deu aos pés da Cruz, é porque precisamos dela para a nossa salvação. Não foi à toa que Cristo nos deu a sua Mãe…
Esta missão materna e universal de Maria aparece na sua preocupação para com todos os cristãos, de todos os tempos. Sem cessar ela socorre a Igreja e os seus filhos.
Durante a sua vida terrena, foi breve o tempo para ela mostrar a sua maternidade. Mas, esta brilhou na Igreja com todo o seu valor depois da Assunção, e será exercida até o fim do mundo. O Concílio afirmou expressamente:
Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na Anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos” (LG, 62).
Sobre isto disse o Papa João Paulo II: “Tendo entrado no reino eterno do Pai, mais próxima do divino Filho e, portanto, de todos nós, Ela pode exercer no Espírito de maneira mais eficaz, a função de intercessão materna que lhe foi confiada pela Providência divina. Próxima de Cristo e em comunhão com Ele, (…) o Pai celeste quis à intercessão sacerdotal do Redentor unir a intercessão materna da Virgem. Trata-se de uma função que Ela exerce em benefício daqueles que estão em perigo e têm necessidade de favores temporais e, sobretudo, da salvação eterna.” (idem)
E o Concílio reafirmou isto dizendo que Maria “Cuida, com amor materno dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira”(LG, 62).
Estes títulos da fé do povo cristão, nos ajudam a compreender melhor a intervenção da Mãe do Senhor na vida da Igreja e de cada um de nós. Foi Santo Irineu que lhe deu pela primeira vez o título de “Advogada” . Ao falar da desobediência de Eva e da obediência de Maria, ele afirma que no momento da Anunciação “a Virgem Maria se tornou a Advogada” de Eva (Haer, 5,19, 1; PG 7, 1175 – 1176).
Os cristãos invocam Maria como “Auxiliadora”, reconhecendo-lhe o amor materno que socorre os seus filhos, sobretudo quando está em jogo a salvação eterna. A convicção de que Maria está próxima dos que sofrem ou se encontram em perigo, levou os fiéis a invocá-la como “Socorro”. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro!
A mesma confiante certeza é expressa pela mais antiga oração mariana, do século II, na época das perseguições romanas, com as palavras: “sob a vossa proteção recorremos a vós, Santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas de nós que estamos na prova, e livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!” (Do Breviário Romano).
Garante-nos o Papa que “como Medianeira materna, Maria apresenta a Cristo os nossos desejos, as nossas súplicas e transmite-nos os dons divinos, intercedendo continuamente em nosso favor.” (ibidem)
Sobre a Sua mediação materna o Concílio tirou qualquer dúvida: Maria, “com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” (LG, 62). Na Encíclica Redemptoris mater, o Papa recorda que “a mediação de Maria está intimamente ligada à sua maternidade e possui um caráter especificamente maternal, que a distingue da mediação das outras criaturas. Deste ponto de vista, Ela é única no seu gênero e singularmente eficaz.” (n.38) O título “Mãe na ordem da graça” esclarece que a Virgem coopera com Cristo no renascimento espiritual da humanidade. E este é o grande papel de Maria hoje na vida da Igreja.
É sempre bom recordar que a mediação materna de Maria não é contraditória com a única e perfeita mediação de Cristo. O Concílio, depois de ter mencionado Maria “Medianeira”, esclareceu: “Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único Mediador, que é Cristo” (LG, 62). “A função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia” (LG, 60).
Diz ainda o Concílio: “Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia” (LG, 60).
Isto quer dizer que a mediação da Mãe da Igreja por seus filhos não é uma mediação “paralela”, nem autônoma, mas subordinada à de Cristo. Diz o Concílio: “De modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” (ibid.). A mediação materna de Maria é um grande dom do Pai à humanidade. Por isso o Concílio conclui dizendo: “Esta função subordinada de Maria, não hesita a Igreja em proclamá-la; sente-a constantemente e inculca-a nos fiéis…” (ibid.).
Na sua peregrinação terrena, a Igreja experimenta continuamente a eficácia da ação da “Mãe na ordem da graça”. Ela tem um lugar especial no coração de cada filho. Não é um sentimento superficial, mas afetivo, real, consciente, vivo, arraigado, e que impele os cristãos de ontem e de hoje a recorrerem sempre a Maria, para entrarem em comunhão mais íntima com Cristo.
Depois da mais antiga oração, formulada no Egito pelas comunidades cristãs do século II para implorar à “Mãe de Deus” proteção no perigo, multiplicaram-se outras invocações. Ensina o nosso Papa que: “Hoje, a oração mais comum é a Ave Maria, cuja primeira parte é composta de palavras tiradas do Evangelho (cf. Lc. 1,28.42). Os cristãos aprendem a rezá-la entre as paredes domésticas, desde os mais tenros anos, recebendo-a como um dom precioso que deve ser conservado durante toda a vida. Esta mesma oração, repetida dezenas de vezes no Rosário, ajuda muitos fiéis a entrar na contemplação orante dos mistérios evangélicos e a permanecer às vezes, durante muito tempo, em contato íntimo com a Mãe de Jesus. Desde a Idade Média, a Ave Maria é a oração mais comum de todos os crentes, que pedem a Santa Mãe do Senhor que os acompanhe e proteja no caminho da existência quotidiana”. (cf. Exort. Apost. Marialis cultus, 42-55).
Além disso, manifestando o seu amor a Maria, o povo multiplica as expressões da sua devoção: hinos, orações, composições poéticas, quadros, imagens, basílicas, etc. A piedade mariana fez surgir uma riquíssima produção artística no mundo todo: pintores, escultores, músicos e poetas deixaram obras-primas que mostram a grandeza da Virgem e nos ajudam a compreender melhor o sentido e valor da sua contribuição na obra da redenção. Maria une não só os cristãos atuantes, mas também o povo simples e até os que estão afastados. Para esses, muitas vezes Maria é o único vínculo com a vida da Igreja.
Maria nos educa a viver na fé em todas as situações da vida, com audácia e perseverança constante. A sua presença na Igreja ensina os cristãos a porem-se cada dia à escuta da Palavra do Senhor. O exemplo de Maria faz com que a Igreja aprenda o valor do silêncio. O silêncio de Maria é sobretudo sabedoria e acolhimento da Palavra. Maria ensina à Igreja o valor de uma existência humilde e escondida em Nazaré. A Igreja aprenda a imitá-la no seu caminho quotidiano. E assim, unida com a Mãe, conforma-se cada vez mais com seu Esposo.
A Igreja vive de fé, e aprendeu esta fé “naquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor” (Lc 1, 45). Maria é para a Igreja também modelo de esperança. Ao escutar a mensagem do anjo, a Virgem é a primeira a acreditar no Reino que o seu Filho veio implantar na terra. E ela permanece firme nesta esperança junto da cruz do Filho, à espera da realização da promessa divina. Ela é, pois, para a Igreja a Mãe da esperança, que encoraja e guia os seus filhos na expectativa do Reino, mesmo entre as horas trágicas de nossa vida e da história.
Em Maria, a Igreja tem o modelo da sua caridade. Graças à caridade de Maria foi possível conservar em todos os tempos no interior da Igreja a concórdia e o amor fraterno.
E também na sua missão apostólica, a Igreja olha para Maria, como ensinou o Concílio:
Na sua ação apostólica, a Igreja olha com razão para aquela que gerou a Cristo, o qual foi concebido por ação do Espírito Santo e nasceu da Virgem precisamente para nascer e crescer também no coração dos fiéis, por meio da Igreja. E, na sua vida, deu a Virgem exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja tem de regenerar os homens” (LG, 65).
Prof. Felipe Aquino

A Assunção de Maria na tradição da Igreja




1. A perene e coral Tradição da Igreja evidencia o modo como a Assunção de Maria faz parte do desígnio divino e está arraigada na singular participação de Maria na missão do Filho. Já no primeiro milênio os autores sagrados se exprimem neste sentido. Testemunhos, na verdade apenas delineados, encontram-se em Santo Ambrósio, Santo Epifânio e Timóteo de Jerusalém. São Germano de Constantinopla (733) coloca nos lábios de Jesus Cristo, que Se prepara para levar a Sua Mãe para o céu, estas palavras: “É preciso que onde estou Eu, também tu estejas, Mãe inseparável de teu Filho…” (HomiL 3 in Dormitionem, PG 98, 360). Além disso, a mesma tradição eclesial vê na maternidade divina a razão fundamental da Assunção. esta convicção encontramos um vestígio interessante em uma narração apócrifa do século V, atribuída ao pseudo-Melitão. O autor imagina Cristo que interroga Pedro e os Apóstolos sobre a sorte merecida por Maria, e deles obtém esta resposta: “Senhor, escolhestes esta Tua serva a fim de que se torne para Ti uma residência imaculada… Portanto, pareceu-nos justo, a nós Teus servos que, assim como Tu reinas na glória depois de teres vencido a morte, Tu ressuscitas o corpo de Tua Mãe e conduze-a jubilosa contigo ao céu” (De transitu V. Mariae, 16 PG 5, 1238). Portanto, pode-se afirmar que a divina maternidade, que tornou o corpo de Maria a residência imaculada do Senhor, se funde com o seu destino glorioso.
2. Num texto rico de poesia, São Germano afirma que é o afeto de Jesus pela sua Mãe que exige a presença de Maria no céu com o Filho divino: “Assim como uma criança procura e deseja a presença de sua Mãe, e como uma Mãe ama viver em companhia de seu filho, assim também para ti, cujo amor materno pelo teu Filho e Deus não deixa dúvidas, era conveniente que tu voltasses para Ele. E, em todo o caso, não era por ventura conveniente que este Deus, que provava por ti um amor deveras filial, te tomasse em Sua companhia?(Homil. 1 in Dormitionem, PG 98, 347). Num outro texto, o venerando autor integra o aspecto privado da relação entre Cristo e Maria, com a dimensão salvífica da maternidade, afirmando que “era necessário que a Mãe da Vida compartilhasse a habitação da Vida” (Ibid., PG 98, 348).
3. Segundo os Padres da Igreja, outro argumento que fundamenta o privilégio da Assunção pode-se deduzir da participação de Maria na redenção. São João Damasceno sublinha a relação entre a participação na Paixão e a sorte gloriosa: “Era necessário que aquela que vira o seu Filho sobre a cruz e recebera em pleno coração a espada da dor… contemplasse este Filho sentado à direita do Pai” (Homil. 2, PG 96, 741). À luz do Mistério pascal, parece de modo particularmente evidente a oportunidade que, com o Filho, também a Mãe fosse glorificada depois da morte. O Concílio Vaticano II, recordando na Constituição dogmática sobre a Igreja o mistério da Assunção, chama a atenção para o privilégio da Imaculada Conceição: precisamente porque fora “preservada de toda a mancha de culpa original” (LG, 59), Maria não podia permanecer como os outros homens no estado de morte até ao fim do mundo. A ausência do pecado original e a santidade, perfeita desde o primeiro momento da existência, exigiam para a Mãe de Deus a plena glorificação da sua alma e do seu corpo.
4. Olhando para o mistério da Assunção da Virgem é possível compreender o plano da Providência divina relativa à humanidade: depois de Cristo, Verbo encarnado, Maria é a primeira criatura humana que realiza o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade, prometida aos eleitos mediante à ressurreição dos corpos.
Na Assunção da Virgem, podemos ver também a vontade divina de promover a mulher. Em analogia a quanto se verificara na origem do gênero humano e da história da salvação, no projeto de Deus o ideal escatológico devia revelar-se não em um indivíduo, mas num casal. Por isso, na glória celeste, ao lado de Cristo ressuscitado há uma mulher ressuscitada, Maria: o novo Adão e a nova Eva, primícias da ressurreição geral dos corpos da humanidade inteira. Sem dúvida, a condição escatológica de Cristo e a de Maria não devem ser postas no mesmo plano. Maria, nova Eva, recebeu de Cristo, novo Adão, a plenitude de graça e de glória celeste, tendo sido ressuscitada pelo poder soberano do Filho mediante o Espírito Santo.
5. Embora sejam sucintas, estas observações permitem-nos esclarecer que a Assunção de Maria revela a nobreza e a dignidade do corpo humano. Diante das profanações e do aviltamento a que a sociedade moderna não raro submete em particular o corpo feminino, o mistério da Assunção proclama o destino sobrenatural e a dignidade de cada corpo humano, chamado pelo Senhor a tornar-se instrumento de santidade e a participar na Sua glória. Maria entrou na glória porque escutou no seu seio virginal e no seu coração o Filho de Deus. Olhando para ela, o cristão aprende a descobrir o valor do próprio corpo e a preservá-lo como templo de Deus, na expectativa da ressurreição. A Assunção, privilégio concedido à Mãe de Deus, constitui assim um imenso valor para a vida e o destino da humanidade.

Papa João Paulo II

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Sugestão para leitura




O evangelho secreto da Virgem Maria


O Pe. Santiago Martín apresenta um manuscrito desconhecido, dos primeiros séculos da nossa era, que narra a vida da Virgem Maria, supostamente escrito por S. João. Aquela que sempre viveu oculta aparece aqui em primeiro plano e de uma forma muito direta.
Baseado no Evangelho Apócrifo da Virgem Maria encontrado por uma monja no final do século IV durante uma viagem que empreendeu à Terra Santa, este livro reconta a vida de Cristo sob o ponto de vista de sua mãe que, já no final da vida, tece suas recordações a João, o discípulo amado de Cristo, quem Ele encarregou de cuidar de Maria. Com sua leitura, vai surgindo a imagem de uma mulher corajosa, que amou e sofreu muito, viu matarem o seu filho e foi capaz de resistir à prova sem perder a fé nem a esperança. Mostra-nos as desconhecidas experiências e dificuldades que ela teve de atravessar para cumprir a missão de ser mãe, educadora e fiel escudeira de Cristo. E, principalmente, nos mostra o lado feminino da mensagem de Cristo, que, para ser plena, precisa ser integrada à sua imagem masculina. Parafresando o que ela mesmo diz, os homens pensam em grandes feitos, e não percebem que o amor, para ser completo, deve se manifestar também nas pequenas coisas. 

Abaixo o link da editora:

PAULUS Editora

Não existe mais que um único Deus


O concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216) declarou:

"Firmemente cremos e simplesmente confessamos que Deus é apenas Um" (Dz. 428). "A santa Igreja Católica Apostólica romana crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro e Vivo" (Dz. 1782).

Provas das Escrituras:
· "Ouve Israel, Iaveh é nosso Deus, apenas Iaveh" (Dt 6,4).
· "Sabemos que o ídolo não é nada no mundo e que não existe mais que um único Deus."
(1 Cor. 8,4).
· Ver também: At 14,14; 17,23; Rm 3,39; Ef 4,6; 1Tim 1,17; 2,5.

Os Santos Padres provam a unicidade de Deus por Sua perfeição absoluta e pela unidade da ordem do mundo. Diz Tertuliano:

"O Ser Supremo e Excelentíssimo precisa ser único, e não pode haver igual a Ele, porque se não for assim, Ele não seria o Ser Supremo, e como Deus é o Ser Supremo, com razão diz nossa verdade Cristã: Se Deus não é o Único, não há nenhum Deus"

São Tomás de Aquino deduz especulativamente a unicidade de Deus devido à Sua simplicidade, da infinidade de Suas perdições e da unidade do universo (S.Th. I,11,3).
A história comparada das religiões nos ensina que a evolução religiosa da humanidade não passou do politeísmo ao monoteísmo, mas sim, ao contrário, ou seja, do monoteísmo ao politeísmo (cf. Rm 1,18). Se opõe a este dogma básico do Cristianismo o politeísmo dos pagãos e o dualismo agnóstico-maniqueista que supunha a existência de dois princípios não criados e eternos.
DEUS É ETERNO
por: Dercio Antonio Paganini