Arte do cartaz retrata tema da campanha “Fraternidade e superação da violência” e o lema “Vós sois todos irmãos”
Da Redação, com CNBB
O cartaz da campanha da fraternidade 2018 mostra um grupo de pessoas de diferentes idades e etnias de mãos dadas, representando a multiplicidade da sociedade brasileira. Especialmente no Ano do Laicato, que terá início na Igreja no Brasil no próximo dia 26 de novembro, o convite é para, por meio da CF 2018, refletir sobre a problemática da violência, particularmente em como superá-la.
Segundo o secretário-executivo das Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Luís Fernando da Silva, as pessoas que nele formam um círculo e unem as mãos indicam que a superação da violência só será possível a partir da união de todos. “A violência atinge toda a sociedade brasileira em suas múltiplas esferas, o caminho para superar a violência é a fraternidade entre as pessoas que se unem para implementar a cultura da paz”, explica.
A escolha do Cartaz, de acordo com o padre Luís Fernando, foi feita com base em duas etapas. A primeira foi aberta à participação da população que pôde enviar sugestões de arte por meio de um edital aberto ao público e a segunda passou pela avaliação do Conselho Permanente da CNBB. “A partir dessa escuta é que chegou à atual configuração do Cartaz”, sublinhou.
Com o tema “Fraternidade e superação da violência”, a CF 2018, além de mapear a violência, colocará também em evidência as iniciativas que existem para superá-la, bem como despertar novas propostas com esse objetivo. “A Igreja no Brasil escolheu o tema da superação da violência devido ao crescimento dos índices de violência no Brasil. Esse tema já foi discutido na década de 80, num contexto em que o país vivia a recessão militar e dentro desse contexto foi possível mapear diversas formas de violência”, afirma padre Luís.
Ele explica ainda que o lema da CF “Vós sois todos irmãos” foi extraído do capítulo 23 do Evangelho de São Mateus, no qual Jesus repreende os fariseus e mestres da lei, por suas práticas não serem coerentes com os seus discursos. “Os fariseus e mestres da lei valorizavam a sociedade hierarquizada. Jesus propõe-lhes então um novo modelo mais comunitário e fraterno “Vós sois todos irmãos”.
“O lema da Campanha da Fraternidade 2018 é um convite para a superação da violência por meio do reconhecimento de que cada pessoa humana é irmão, é irmão e se assim o é então não se pode deferir contra ele (a) atos de violência”, finaliza padre Luís.
Subsídios
Além do cartaz, todo ano a Igreja no Brasil disponibiliza subsídios e materiais para ajudar as comunidades, famílias e cidadãos a vivenciarem o propósito da Campanha. Esses materiais estarão à disposição do público no site da Edições CNBB a partir da última semana de outubro.
Padre Luís Fernando explica ainda que o principal subsídio é o texto-base que apresenta uma reflexão do tema a partir do método ver, julgar e agir. Além disso, haverá ainda subsídios para alunos do ensino fundamental, médio e grupos juvenis. Já para ajudar na oração quaresmal, uma vez que a CF é lançada durante este período, haverá também celebrações em família, via-sacra, vigília, eucaristia, celebração da misericórdia e celebração ecumênica.
“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada domine.” (1 Coríntios 6:12)
Vários autores explicam o nome Carnaval a partir do latim “carne vale”, isto é, “adeus carne” ou “despedida da carne”; o que significa que no Carnaval o consumo de carne era considerado lícito pela última vez antes dos dias de jejum quaresmal. Outros estudiosos recorrem à expressão “carnem levare”, suspender ou retirar a carne.
O Papa São Gregório Magno (590-604) teria dado ao último domingo antes da Quaresma (domingo da Qüinquagésima), o título de “dominica ad carnes levandas”; o que teria gerado “carneval” ou carnaval. Um grupo de etimologistas apela para as origens pagãs do Carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se fazer um cortejo com uma nave, dedicado ao deus Dionísio ou Baco, festa que chamavam em latim de “currus navalis” (nave carruagem), de donde teria vindo a forma Carnavale. Não é fácil saber a real origem do nome.As mais antigas notícias do que hoje chamamos “Carnaval” datam, como se crê, do séc. VI antes de Cristo, na Grécia: há pinturas gregas em vasos com figuras mascaradas desfilando em procissão ao som de músicas em honra do deus Dionísio, com fantasias e alegorias; são certamente anteriores à era cristã. Outras festas semelhantes aconteciam na entrada do novo ano civil (mês de janeiro) ou pela aproximação da primavera, na despedida do inverno.
Eram festas religiosas, dentro da concepção pagã e da mitologia com a intenção de com esses ritos expiar as faltas cometidas no inverno ou no ano anterior e pedir aos deuses a fecundidade da terra e a prosperidade para a primavera e o novo ano. Por exemplo, para exprimir o cancelamento das culpas passadas, encenava-se a morte de um boneco que, depois de haver feito seu testamento e um transporte fúnebre, era queimado ou destruído. Em alguns lugares havia a confissão pública dos vícios. A denúncia das culpas muitas vezes se tornava algo teatral, como por exemplo, o cômico Arlequim que, antes de ser entregue à morte confessava os seus pecados e os alheios.
Tudo isso parece ter gerado abusos estimulados com o uso de máscaras, fantasias, cortejos, peças de teatro, etc. As religiões ditas “de mistérios” provenientes do Oriente e muito difusas no Império Romano, concorreram para o fomento das festividades carnavalescas. Estas tomaram o nome de “pompas bacanais” ou “saturnais” ou “lupercais”. Como essas demonstrações de alegria tornaram-se subversivas da ordem pública, o Senado Romano, no séc. II a.C. resolveu combater os bacanais e os seus adeptos acusados de graves ofensas contra a moralidade e contra o Estado.
Essas festividades populares podiam ser no dia 25 de dezembro (dia em que os pagãos celebravam Mitra ou o Sol Invicto) ou o dia 1º de janeiro (começo do novo ano), ou outras datas religiosas pagãs.
Quando o Cristianismo surgiu já encontrou esses costumes pagãos. E como o Evangelho não é contra as demonstrações de alegria desde que não se tornem pecaminosas, os missionários ao invés de se oporem formalmente ao Carnaval, procuraram cristianiza-lo, no sentido de depura-lo das práticas supersticiosas e mitológico. Aos poucos as festas pagãs foram sendo substituídas por solenidade do Cristianismo (Natal, Epifania do Senhor ou a Purificação de Maria, dita “festa da Candelária”, em vez dos mitos pagãos celebrados a 25 de dezembro, 6 de janeiro ou 2 de fevereiro). Por fim, as autoridades da Igreja parecem ter conseguido restringir a celebração oficial do Carnaval aos três dias que precedem a quarta-feira de cinzas.
Portanto, a Igreja não instituiu o Carnaval; teve, porém, de o reconhecer como fenômeno existente, e procurou subordina-lo aos princípios do Evangelho. A Igreja procurou também incentivar os Retiros espirituais e a adoração das Quarenta Horas nos dias anteriores à quarta-feira de cinzas. Sobretudo a Igreja fortaleceu a Quaresma.
A Quaresma
“Quaresma” provém do latim “Quadragesima” e significa “quarenta dias”; é o período de preparação para a Páscoa do Senhor, cuja duração é de 40 dias. Inicia-se na Quarta-Feira de Cinzas e se estende agora até a Quinta Feira Santa. É um tempo de “penitência, jejum e oração”, que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”, para a busca da conversão da pessoa.
A Quaresma foi inspirada no período de tentação de Cristo no deserto, bem como os exemplos de Noé, em 40 dias na Arca, e Moisés, vagando por 40 anos no deserto do Sinai.
No início da Quaresma, na Quarta-Feira de Cinzas, os fiéis têm suas frontes marcadas com cinzas, como os primitivos penitentes públicos, excluídos temporariamente da assembléia (lembrando Adão expulso do Paraíso, de onde vem a fórmula litúrgica: “Lembra-te de que és pó…”).
Esse tempo de penitência é recordado pela liturgia: as vestes e os paramentos usados são da cor roxa (no quarto domingo da Quaresma, pode-se usar o rosa, representando a alegria pela proximidade do término da tristeza, pela Páscoa); o Glória não é cantado ou rezado; a aclamação do “Aleluia” também não é feita; não se enfeitam os templos com flores; o uso de instrumentos musicais torna-se moderado.
É um tempo também favorável para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações penitenciais. O mesmo pode-se aplicar a todas as sextas-feiras do ano, tidas como dias penitenciais como prescreve o cân. 1250 do Código de Direito Canônico.
O historiador Sócrates informa que já no séc. V, a Quaresma durava seis semanas em Roma, sendo três semanas dedicadas ao jejum: a primeira, a quarta e a sexta. Já no século IV a “Peregrinação de Etéria” fala de um jejum de oito semanas praticado pela comunidade de Jerusalém, excluídos os sábados e domingos; o que totaliza os 40 dias de jejum. No tempo de São Gregório Magno (590-604), Roma observava os 40 dias da Quaresma.
O Código de Direito Canônico afirma que:
Cân.1250 – “Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma”.
Cân.1251 – “Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Cân.1252 – “Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade”.
Para o Brasil a CNBB determinou que, exceto na Sexta-Feira Santa, todas as outras sextas-feiras, inclusive as da Quaresma, têm sua abstinência convertida em “outras formas de penitência, principalmente em obras de caridade e exercícios de piedade”.
Sentado em uma simples cadeira de carvalho, São Pedro presidia as reuniões da primitiva Igreja. Ao longo dos séculos, essa preciosa relíquia foi crescendo em valor e significado.
Nenhum transeunte parecia dar
qualquer atenção àquele judeu de aspecto grave que subia com passo firme uma
rua do Monte Aventino, em Roma, no ano 54 da Era Cristã.
Entretanto,
poucos séculos depois, de todas as partes do mundo acorreriam a essa cidade
imperadores, reis, príncipes, potentados e, sobretudo, multidões incontáveis de
fiéis para oscular os pés de uma imagem de bronze desse varão até então
desconhecido e quase desprezado pela Roma pagã. Pois fora a ele que o próprio
Deus dissera: “Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que
desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,19).
Sim, era o
Apóstolo Pedro que retornava à Capital do Império para ali estabelecer o
governo supremo da Santa Igreja. “Saudai
Prisca e Áquila”
Provavelmente
o acompanhavam alguns cristãos, entre os quais Áquila e sua esposa Prisca,
batizados por ele poucos anos antes. Na Epístola aos Romanos, São Paulo faz a
este casal a seguinte referência altamente elogiosa: “Saudai Prisca e Áquila,
meus cooperadores em Cristo Jesus; pela minha vida eles expuseram as suas
cabeças. E isso lhes agradeço, não só eu, mas também todas as igrejas dos
gentios. Saudai também a comunidade que se reúne em sua casa” (Rom 16,3-5).
Irrigada
pelo sangue dos primeiros mártires, a evangelização deitava fundas raízes nas
almas e se difundia rapidamente por todo o orbe. Mas não existiam ainda
edifícios sagrados para a celebração do culto divino, de modo que esta se fazia
em residências particulares.
Assim,
Áquila e Prisca tiveram o privilégio incomparável de acolher em seu lar a comunidade
cristã. Ali São Pedro pregava, instruía, celebrava a Eucaristia. Dessa modesta
casa governava ele a Igreja, por toda parte florescente, apesar dos obstáculos
levantados pelos inimigos da Luz.
Era uma cadeira simples, de carvalho
Tomada de
enlevo e veneração pelo Príncipe dos Apóstolos, Prisca reservou para uso
exclusivo dele a melhor cadeira da casa. Nela sentava-se o Santo para presidir
as reuniões da comunidade.
Após a
morte do Apóstolo, essa cadeira tornou-se objeto de especial veneração dos cristãos,
como preciosa evocação do seu ensinamento. Passaram logo a denominá-la de
“cátedra”, termo grego que designa a cadeira alta dos professores, símbolo do
magistério.
Era
primitivamente uma peça bem simples, de carvalho. No correr do tempo, algumas
partes deterioradas foram restauradas ou reforçadas com madeira de acácia. Por
fim, foi ornada com alto-relevos de marfim, representando diferentes temas
profanos.
Um altar-relicário
Há
testemunhos e documentos suficientes para acompanhar sua história desde fins do
século II até nossos dias.
Tertuliano e São Cipriano atestam que em seu tempo (fim do séc. II e início do
séc. III) essa cátedra era conservada em Roma como símbolo da Primazia dos
Bispos da urbe imperial.
Por volta
do século IV, colocada no batistério da Basílica de São Pedro, era exposta à
veneração dos fiéis nos dias 18 de janeiro e 22 de fevereiro. Durante toda a
Idade Média ela foi conservada na Basílica do Vaticano, sendo usada para a
entronização do Soberano Pontífice.
Em 1657 o
Papa Alexandre VII encomendou ao escultor e arquiteto Bernini um monumento para
exaltar tão preciosa relíquia. Empenhando todo o seu gênio, construiu ele o
magnífico Altar da Cátedra de São Pedro, considerado por muitos sua obra-prima.
Nesse
altar cheio de simbolismo, o mármore da Aquitânia e o jaspe da Sicília, sobre
os quais se apóia o monumento, representam a solidez e a nobreza dos
fundamentos da Igreja. As quatro gigantescas estátuas que sustentam a cátedra –
representando Santo Ambrósio, Santo Agostinho, Santo Atanásio e São João
Crisóstomo, Padres da Igreja Latina e da Grega – recordam a universalidade da
Igreja e a coerência entre o ensinamento dos teólogos e a doutrina dos
Apóstolos.No centro do altar foi colocada em 1666 a cátedra de bronze dourado
dentro da qual se encerra, como num relicário, a bimilenar cadeira de São
Pedro.
Símbolo da Infalibilidade papal
Nos
documentos eclesiásticos, a expressão Cátedra de Pedro tem o mesmo significado
de Trono de São Pedro, Sólio Pontifício, Sede Apostólica. Num sentido
figurativo, equiparase ela a Papado e até mesmo a Igreja Católica.
Afirmaram
os Padres do IV Concílio de Constantinopla (ano 859): “A Religião católica
sempre se conservou inviolável na Sé Apostólica (…) Nós esperamos conseguir
manter-nos unidos a esta Sé Apostólica sobre a qual repousa a verdadeira e
perfeita solidez da Religião cristã”.
Nessa
mesma época o Papa São Nicolau I pôde com inteira razão sustentar que “nos
concílios não se reconheceu como válido e com força de lei senão aquilo que foi
ratificado pela Sede de São Pedro, não tendo sido tomado em consideração aquilo
que ela recusou”.
Em uma de
suas cartas, São Bernardo usa a expressão “Santa Sé Apostólica” para se referir
à pessoa do Papa e afirma que a infalibilidade é privilégio “da Sé Apostólica”.
Após a
solene definição do dogma da Infalibilidade papal no Concílio Vaticano I, todos
os católicos, eclesiásticos ou leigos, são unânimes em proclamar que o Papa é e
sempre será isento de erro em matéria de fé e de moral, de acordo com as
palavras de Jesus ao Príncipe dos Apóstolos: “Eu roguei por ti a fim de que não
desfaleças; e tu, por tua vez, confirma teus irmãos” (Lc 22,32).
A Cátedra
de Pedro é, o mais eloqüente símbolo dessa Infalibilidade, do Papado, da pessoa
do Papa e da própria Santa Igreja de Cristo. Mais ainda, pois na Exortação
Apostólica Pastores Gregis, Sua Santidade João Paulo II afirma que nela se
encontra “o princípio perpétuo e visível, bem como o fundamento da unidade da
fé e da comunhão”.
Por este
motivo, para ela se volta nossa entusiástica admiração de modo especial no dia
de sua Festa litúrgica, 22 de fevereiro. (Victor Hugo Toniolo; Revista Arautos
do Evangelho, Fev/2005, n. 38, p. 32 e 33)