O nascimento de Maria Santíssima traz ao mundo o anuncio jubiloso de uma boa nova: a Mãe do Salvador já está entre nós. Ele é o alvorecer prenunciativo de nossa salvação, o início histórico da obra da Redenção.
E "como celebraremos o nascimento de Maria?"
Essa pergunta, feita por São Pedro Damião em seu "Segundo Sermão sobre a Natividade de Nossa Senhora", ainda surge hoje quando se trata de comemorar essa solenidade. O acontecimento é grande demais. E assim o santo justificou sua perplexidade:
Santa Ana e a Menina Maria
"Às trevas do paganismo e à falta de fé dos judeus, representadas pelo templo de Salomão, sucede o dia luminoso no templo de Maria. É justo, portanto, cantar este dia e Aquela que nele nasceu. Mas como poderíamos celebrá-la dignamente? Podemos narrar as façanhas heroicas de um mártir ou as virtudes de um santo, porque são humanas. Mas como poderá a palavra mortal, passageira e transitória exaltar Aquela que deu à luz a Palavra que fica? Como dizer que o Criador nasce da criatura?"
Por ocasião do nascimento de Maria, as trevas desaparecem, o céu recobre-se
de cores festivas, toda a natureza se enche de júbilo: Jesus ainda não aparece,
mas seus primeiros raios resplandecem em Maria, como numa
aurora de graça e amor
Uma Festa de Alegria
Está inteiramente de acordo com o espírito da Igreja festejar com alegria a Festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria. Sua comemoração é feita no dia 8 de Setembro. "A celebração de hoje é para nós o começo de todas as festas", afirma o Calendário Litúrgico Bizantino. O nascimento de Maria Santíssima traz ao mundo o anuncio jubiloso de uma boa nova: a mãe do Salvador já está entre nós. Ele é o alvorecer prenunciativo de nossa salvação, o início histórico da obra da Redenção.
São Pedro Damião afirma em sua homilia para essa festa:
"Deus onipotente, antes que o homem caísse, previu a sua queda e decidiu, antes dos séculos, a redenção humana. Decidiu Ele encarnar-se em Maria." "Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Casa linda, porque, se a Sabedoria constrói uma casa com sete colunas trabalhadas, este palácio de Maria está alicerçado nos sete dons do Espírito Santo. Salomão celebrou de modo soleníssimo a inauguração de um templo de pedra. Como celebraremos o nascimento de Maria, templo do Verbo encarnado? Naquele dia a glória de Deus desceu sobre o templo de Jerusalém sob forma de nuvem, que o obscureceu.
O Senhor que faz brilhar o sol nos céus, para a sua morada entre nós escolheu a obscuridade (1Rs 8,10-12), disse Salomão na sua oração a Deus. Este mesmo templo estará repleto pelo próprio Deus, que vem para ser a luz dos povos."
***
A Natividade de Maria era celebrada no Oriente católico muito antes de ser instituída no Ocidente. Ela tem provavelmente sua origem em Jerusalém, em meados do século V. Foi em Jerusalém que se manteve viva a tradição que a Virgem teria nascido junto à Porta da Piscina Probática.
São Joaquim, seu pai, e Nossa Senhora menina
Nessa festa o mundo católico admira Nossa Senhora como sendo Ela a aurora que anuncia o Sol de justiça que dissipa as trevas do pecado. Nela, a Igreja convida a "contemplarmos uma menina como todas as outras, e que ao mesmo tempo é única, pois, Ela é a "bendita entre todas as mulheres" (Lc 1, 42), a Imaculada "filha de Sião", destinada a tornar-se a Mãe do Messias".(João Paulo II, Audiência de 8/9/2004).
Alegria até para os Anjos
A alegria nas comemorações da festa litúrgica do nascimento de Nossa Senhora é justificadamente incentivada a todos, até aos anjos:
"Alegrem-se os Patriarcas do Antigo Testamento que, em Maria, reconheceram a figura da Mãe do Messias. Eles e os justos da Antiga Lei aguardavam há séculos, serem admitidos na glória celeste pela aplicação na fé dos méritos de Cristo, o bendito fruto da Virgem Maria.
"Alegrem-se todos os homens porque o nascimento da Virgem veio anunciar-lhes a aurora do grande dia da libertação pela qual aspiram todos os povos. Alegrem-se todos os anjos porque neste dia foi-lhes dada pela primeira vez a ocasião de reverenciar a sua futura Rainha." (Lehmann, P. JB. Na luz Perpétua, 1959 p.268).
Só no Céu houve Festa
Ainda que sendo Maria a "Virgem bela e Gloriosa" que Deus amou com predileção desde a sua eternidade, desde toda a Criação como sua obra-prima, enriquecida das graças mais sublimes e elevada à excelsa dignidade de Mãe de Deus, (Patriarca Fócio, Homilia sobre a Natividade,PG 43) visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria.
Os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos Evangelistas. Só no Céu houve Festa, pois o Filho de Deus vê sua Mãe nascer.
* * * * * * Maria, santa desde o primeiro instante de sua vida
Os Santos e outros abalizados autores, de diversas maneiras exprimiram essa doutrina. Em um de seus arrebatadores sermões dedicados a Nossa Senhora, São Tomás de Villanueva ensina: "Era necessário que a Mãe de Deus fosse também puríssima, sem mancha, sem pecado. E assim não apenas quando donzela, mas em menina foi santíssima, e santíssima no seio de sua mãe, e santíssima em sua concepção. Pois não convinha que o santuário de Deus, a mansão da Sabedoria, o relicário do Espírito Santo, a urna do maná celestial, tivesse em si a menor mácula. Pelo que, antes de receber aquela alma santíssima, foi completamente purificada a carne até do resíduo de toda mancha, e assim, ao ser infundida a alma, não herdou nem contraiu pela carne mancha alguma de pecado, como está escrito: "Fixou sua habitação na paz" (Sl. LXXV, 3). Quer dizer, a mansão da divina Sabedoria foi construída sem a inclinação para o pecado.
"A gloriosa Virgem não apenas foi preservada do pecado original em sua concepção, como foi também adornada da justiça original e confirmada em graça desde o primeiro momento de sua vida, segundo muitos eminentes teólogos, a fim de ser mais digna de conceber e dar à luz o Salvador do mundo. Privilégio que jamais foi concedido a criatura alguma humana nem angélica, pertencendo somente à Mãe do Santo dos Santos, depois de seu Filho Jesus […]
"Todas as virtudes, com todos os dons e frutos do Espírito Santo, e as oito bem-aventuranças evangélicas se encontram no coração de Maria desde o momento de sua concepção, tomando inteira posse e estabelecendo n'Ela seu trono num grau altíssimo e proporcionado à eminência de sua graça".
Santa Ana, sua mãe, e Nossa Senhora menina
"Santo Afonso de Ligório, por sua vez, comenta: "A nossa celeste menina, tanto por causa de seu ofício de medianeira do mundo, como em vista de sua vocação para Mãe do Redentor, recebeu, desde o primeiro instante de sua vida, graça mais abundante que a de todos os Santos reunidos. E que admirável espetáculo para o Céu e para a Terra, não seria a alma dessa bem-aventurada menina, encerrada ainda no seio de sua mãe! Era a criatura mais amável aos olhos de Deus, pois que, já cumulada de graças e méritos, podia dizer: 'Quando era pequenina agradei ao Altíssimo'. E ao mesmo tempo era a criatura mais amante de Deus, de quantas até então haviam existido.
"Houvera, pois, nascido imediatamente após a sua Imaculada Conceição, e já teria vindo ao mundo mais rica em méritos e mais santa do que toda a corte dos Santos. Imaginemos, agora, quanto mais santa nasceu a Virgem, vendo a luz do mundo só depois de nove meses, os quais passou adquirindo novos merecimentos no seio materno!"
"Preciosa pérola no seio de Sant'Ana"
Com seu gracioso estilo, o Pe. Manuel Bernardes nos apresenta Maria no seio materno sempre santa: "Uma pérola deu a Rainha Cleópatra a Marco Antônio, que se avaliava em muitos mil talentos. Em quanto avaliaremos nós esta pérola animada, que se formou na concha do ventre de Sant'Ana? Há nas Índias pérolas, que, em razão de sua diferente grandeza e figura, se chamam pérolas Ave Marias e pérolas Padre-nossos. Ó que ricas Índias se descobrirão hoje na casa da gloriosíssima e felicíssima matrona Sant'Ana, donde nos veio tal pérola Ave Maria, que nos deu tal pérola Padre Nosso? Por certo que ainda que todo o firmamento fora um livro (como o considera São João no Apocalipse), e se escrevesse todo de letras de algarismo, não somariam o valor destas duas pérolas. Porque, enfim, como dizíamos, e é certo, tudo o que devemos a Cristo Filho de Deus, devemos por conseguinte a Maria, escolhida para Mãe de Deus, e que foi a que deu pés a Deus, para andar com os homens na Terra".
"Como fecho dos comentários ao presente louvor, ouçamos estas ardorosas palavras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:
"Porque concebida sem pecado original, Nossa Senhora, afirmam os teólogos, foi dotada do uso da razão desde o primeiro instante de seu ser. Portanto, já no ventre materno Ela possuía altíssimos e sublimíssimos pensamentos, vivendo no seio de Sant'Ana como num verdadeiro tabernáculo.
"Temos uma confirmação indireta disso no que narra a Sagrada Escritura (Lc. I, 44) a respeito de São João Batista. Ele, que fora engendrado no pecado original, ao ouvir a voz de Nossa Senhora saudando Santa Isabel, estremeceu de alegria no seio de sua mãe.
A Igreja convida a contemplarmos uma menina como todas as outras, e que ao mesmo tempo é única, pois, Ela é a "bendita entre todas as mulheres " (Lc 1, 42), a Imaculada "filha de Sião, destinada a tornar-se a Mãe do Messias"(Beato João Paulo II, Audiência de 8/9/2004)
"Assim, pode-se acreditar que a Bem-aventurada Virgem, com a altíssima ciência que recebera pela graça de Deus, já no seio de Sant'Ana começou a pedir a vinda do Messias e, com Ele, a derrota de todo mal no gênero humano. E desde o ventre materno se estabeleceu, com certeza, no espírito de Maria, aquele elevadíssimo intuito de vir a ser, um dia, a servidora da Mãe do Salvador.
"Na realidade, por essa forma Nossa Senhora já começava a influir nos destinos da humanidade. Sua presença na Terra era uma fonte de graças para todos aqueles que d'Ela se aproximavam na sua infância, ou mesmo quando ainda se encontrava no seio de Sant'Ana. Pois se da túnica de Nosso Senhor - conta o Evangelho (Lc. VIII, 44-47) - se irradiavam virtudes curativas para quem a tocasse, quanto mais da Mãe de Deus, Vaso de Eleição!
"Por isso, pode-se dizer que, embora fosse Ele criancinha, já em seu natal graças imensas raiaram para a Humanidade". ("Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP; "Pequeno Ofício da Imaculado Conceição").
O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII
A Sagrada Tradição da Igreja ensina que Nossa Senhora foi elevada ao céu de corpo e alma, após sua morte. No entanto, as particularidades da morte da Virgem Maria não são conhecidas. Santo Epifânio, bispo de Salamina de Chipre, compôs, nos anos de 374-377, o livro sobre as heresias, no qual escreve:
Ou a santa Virgem morreu e foi sepultada e seguiu-se depois sua Assunção na glória, ou sem fim verificou-se em plena e ilibada pureza, adornando a coroa de sua virgindade… (MS, p. 267).
O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950 e sua festa é celebrada no dia 15 de agosto. Grande júbilo e alegria pairou sobre todo o mundo católico naquela data, especialmente para os filhos de Maria. Quando o Papa o decretou por meio da Constituição Apostólica Munificientissimus Deus foi uma verdadeira apoteose, tanto na Praça de São Pedro em Roma, como nas outras cidades do mundo católico. Nesse documento disse o Papa: Cristo, com Sua morte, venceu o pecado e a morte e sobre esta e sobre aquele alcançará também vitória pelos merecimentos de Cristo quem for regenerado sobrenaturalmente pelo batismo. Mas por lei natural Deus não quer conceder aos justos o completo efeito dessa vitória sobre a morte, senão quando chegar o fim dos tempos. Por isso os corpos dos justos se dissolvem depois da morte, e somente no último dia tornarão a unir-se, cada um com sua própria alma gloriosa. Mas desta lei geral Deus quis excetuar a Bem-Aventurada Virgem Maria. Ela, por um privilégio todo singular venceu o pecado; por sua Imaculada Conceição, não estando por isso sujeita à lei natural de ficar na corrupção do sepulcro, não foi preciso que esperasse até o fim do mundo para obter a ressurreição do corpo.
E, assim, na Praça de São Pedro, em Roma, diante do pórtico de São Pedro, circundado por 36 Cardeais, 555 Patriarcas, Arcebispos e Bispos e sacerdotes, e perante cerca de um milhão de fiéis, o Papa proclamava solenemente:
Depois de haver mais uma vez elevado a Deus nossas súplicas e invocado as luzes do Espírito Santo, a glória de Deus Onipotente, que derramou sobre a Virgem Maria Sua especial benevolência, em honra de Seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte, para maior glória de Sua augusta Mãe e para a alegria e exultação de toda a santa Igreja, e pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma de fé revelado por Deus que: a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma (MS, p. 282).
O Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus, resume a importância desse dogma numa expressão cheia de densidade:
A solenidade de 15 de agosto celebra a gloriosa Assunção de Maria ao céu: festa de seu destino de plenitude e de bem-aventurança, glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, de sua perfeita configuração com Cristo ressuscitado (MC, n. 6).
Assim, Maria participa da ressurreição e glorificação de Cristo. É preciso lembrar, aqui, que somente Jesus e Maria subiram ao céu, de corpo e alma. Os santos estão lá apenas com suas almas, pois os corpos estão na terra, aguardando a ressurreição do último dia. Maria, ao contrário, foi elevada ao céu também com seu corpo já ressuscitado. É uma grande glória dela.
A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em uma Instrução de 17-05-1979, deixou bem claro:
A Igreja, ao expor a sorte do homem após a morte, exclui qualquer explicação que tire o sentido à Assunção de Nossa Senhora naquilo que ela tem de único, ou seja, o fato de ser a glorificação corporal da Virgem Santíssima uma antecipação da glorificação que está destinada a todos os outros eleitos (n. 6).
Quais os motivos da Assunção de Nossa Senhora?
1 – Como Maria não esteve sujeita ao poder do pecado para poder ser a Mãe de Deus, também não podia ficar sob o império da morte; pois, como disse São Paulo, o salário do pecado é a morte (Rm 6,23). Assim, Maria não experimentou a corrupção da carne mas foi glorificada em sua alma e seu corpo.
2 – A carne de Jesus e a de Maria são a mesma carne. Portanto a carne de Maria devia ter a mesma glória que teve a de seu Filho.
São João de Damasco no ano 749 escreve:
Era necessário que aquela que no parto havia conservado ilesa sua virgindade conservasse também sem corrupção alguma seu corpo depois da morte. Era preciso que aquela que havia trazido no seio o Criador feito menino habitasse nos tabernáculos divinos. Era necessário que aquela que tinha visto o Filho sobre a Cruz, recebendo no coração aquela espada das dores das quais fora imune ao dá-Lo à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse aquilo que pertence ao Filho e fosse honrada por todas as criaturas como Mãe de Deus.
E assim também se exprime São Germano, patriarca de Constantinopla, falecido em 735, e outros santos (MS, pp. 272 e 273).
A festa do Trânsito de Maria, que honrava sua morte, passou gradualmente a comemorar sua Assunção corporal ao céu. No sacramentário enviado pelo Papa Adriano I ao Imperador Carlos Magno (768-814), que introduziu o Cristianismo em todo o vasto império franco, está escrito:
Digna de honra é para nós, Senhor, a festividade deste dia em que a Beata Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus, sofreu a morte temporal mas não pôde ser retida pelos inexoráveis laços, porque ela deu à luz o seu Filho, nosso Senhor, que tomou sua carne (MS, p. 273). No Sínodo de Mainz, no ano 813, Carlos Magno introduziu a festa da Assunção de Maria ao Céu, depois de haver obtido autorização de Roma.
Foi São Gregório de Tours, falecido em 596, o primeiro a proclamar a Assunção corpórea de Maria ao Céu. Um século mais tarde, Santo Ildefonso de Toledo afirmou: Não devemos esquecer que muitos consideram que ela [Maria] foi neste dia levada corporalmente ao céu por Nosso Senhor Jesus Cristo (MS, p. 274).
Muitos santos perguntavam se o melhor dos Filhos poderia recusar à melhor das Mães à participação em sua ressurreição e o glorioso domínio à direita do Pai? Para eles sua dignidade de Mãe de Deus exige a Assunção.
Para Santo Irineu, do século II, como a nova Eva, Maria participou da sorte do novo Adão, Jesus Cristo, ressuscitou depois da morte, e seu corpo não experimentou a corrupção (MS, p. 277).
Como Maria não teve na alma a mancha do pecado original, ficou isenta da dura sentença dada aos demais: Es pó e em pó hás de tornar (Gn 3,19). A nós que herdamos o pecado original, é preciso voltar ao pó da terra de onde saímos, para que na ressurreição do último dia, o Senhor nos refaça sem as seqüelas do mal.
A rica Tradição da Igreja reconheceu desde os primeiros séculos a gloriosa Assunção de Nossa Senhora. Dela dão testemunho S. João Damasceno, São João Crisóstomo, S. Tomás de Aquino, S. Boaventura, S. Anselmo, São Bernardo e outros luminares e teólogos famosos. Além disso, a Sagrada Liturgia sempre confirmou a verdade desse dogma, tanto nos antigos missais como nos sacramentários, hinos e saudações à subida da Rainha ao céu. Além disso, nunca, em Igreja nenhuma da terra, se venerou uma relíquia do corpo de Maria Santíssima, mostrando com isto uma convicção certa e inabalável de que Ela está no céu.
Contudo, a razão mais forte da Assunção de Nossa Senhora está no fato de ela ser a Mãe do Senhor. Como disse o frei Francisco de Monte Alverne:
Consentiria o meigo Jesus de Nazaré que sua morada puríssima, o céu esplêndido onde por nove meses repousaria, a estátua viva esculpida pelo próprio Criador, ficasse nessa terra de exílio? Porventura o Rei dos Exércitos esperaria o fim dos tempos para que a corte celeste prestasse homenagens reais à sua Mãe. Não, pois era mister que a humanidade reconhecesse quanto era considerada uma mãe tão extremosa (nota 22 e Tm p. 314).
A glória da Assunção de Nossa Senhora ao céu é, para nós que ainda vivemos neste vale de lágrimas, a certeza de que o céu existe e é nosso destino.
As
três pessoas da Santíssima Trindade é um só Deus em Três Pessoas
distintas. O Pai, o Filho e o Espírito Santo, possuem a mesma
natureza divina, a mesma grandeza, bondade e santidade. Apesar
disso, através da história, a Igreja tem observado que certas
atividades são mais apropriadas a uma pessoa que a outra. A Criação
do mundo é mais apropriada ao Pai, a redenção ao Filho e a
Santificação, ao Espírito Santo. Nenhuma das Três pessoas
Trinitárias exerce mais ou menos poder sobre as outras. Cada uma
delas tem toda a divindade, todo poder e toda a sabedoria. E
justamente, nesta breve dissertação, constatamos a profundidade do
mistério da Santíssima Trindade, ante a complexidade em assimilar a
magnitude de Três pessoas distintas formando um só Deus. Trata-se,
portanto, de um grande mistério, central da fé cristã. As
Escrituras são claras a respeito da Santíssima Trindade, desde o
antigo, até o novo Testamento.
A
festa da Santíssima Trindade é um dos dias mais importantes do ano
litúrgico. Nós, como cristãos a celebramos convictos pelos
ensinamentos da Igreja, que possui a plenitude das verdades reveladas
por Cristo. É dogma de fé estabelecido, a essência de um só Deus
em Três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. É um
mistério de difícil interpretação, impossível, de ser assimilado
pelas limitações humanas.
Há
séculos a Santa Igreja ensina o mistério de Três Pessoas em um só
Deus, baseada nas claras e explícitas citações bíblicas. Mas
desaconselha a investigação no sentido de decifrar tão grande
mistério, dada a complexidade natural que avança e se eleva para as
coisas sobrenaturais.
Santo
Agostinho de Hipona, grande teólogo e doutor da Igreja, tentou
exaustivamente compreender este inefável mistério. Certa vez,
passeava ele pela praia, completamente compenetrado, pediu a Deus
luz para que pudesse desvendar o enigma. Até que deparou-se com uma
criança brincando na areia. Fazia ela um trajeto curto, mas
repetitivo. Corria com um copo na mão até um pequeno buraco feito
na areia, e ali despejava a água do mar; sucessivamente voltava,
enchia o copo e o despejava novamente. Curioso, perguntou à criança
o que ela pretendia fazer. A criança lhe disse que queria colocar
toda a água do mar dentro daquele buraquinho. No que o Santo lhe
explicou ser impossível realizar o intento. Aí a criança lhe
disse: “É muito mais fácil o oceano todo ser transferido para
este buraco, do que compreender-se o mistério da Santíssima
Trindade”. E a criança, que era um anjo, desapareceu...
Santo
Agostinho concluiu que a mente humana é extremante limitada para
poder assimilar a dimensão de Deus e, por mais que se esforce,
jamais poderá entender esta grandeza por suas próprias forças ou
por seu raciocínio. Só o compreenderemos plenamente, na eternidade,
quando nos encontrarmos no céu com o Pai, o Filho e o Espírito
Santo.
Ao participarmos da Santa Missa observamos que, desde
o início, quando nos benzemos, até o momento da bênção
trinitária final, constantemente o sacerdote invoca a Santíssima
Trindade, particularmente durante a pregação eucarística. As
orações que o padre pronuncia após a consagração, que por certo
são dignas de serem ouvidas com atenção e recolhimento, são
dirigidas a Deus Pai, por mediação de Jesus Cristo, em unidade com
o Espírito Santo. E é na missa onde o cristão logra vislumbrar,
pela graça do Espírito Santo, o mistério da Santíssima Trindade.
Devemos, neste momento, invocar a Deus, que aumente nossa fé,
porque sem ela, será impossível crer neste mistério, mistério de
fé no sentido estrito. Mesmo sem conseguir penetrar na sua essência
o cristão deverá, simplesmente, crer nele.
O mistério da
Santíssima Trindade é uma das maiores revelações feita por Nosso
Senhor Jesus Cristo. Os judeus adoram a unicidade de Deus e
desconhecem a pluralidade de pessoas e a sua unidade substancial.
Os demais povos adoram a multiplicidade de deuses. O cristianismo é
a única religião que, por revelação de Jesus, prega ser Deus uno
em três pessoas distintas:
DEUS
PAI
– Não foi criado e nem gerado. É o “princípio e o fim,
princípio sem princípio”; por si só, é Princípio de Vida, de
quem tudo procede; possui absoluta comunhão com o Filho e com o
Espírito Santo. Atribui-se ao Pai a Criação do mundo. DEUS
FILHO
– Procede eternamente do Pai, por quem foi gerado, não criado.
Gerado pelo Pai porque assumiu no tempo Sua natureza humana, para
nossa Salvação. É Ele Eterno e consubstancial ao Pai (da mesma
natureza e substância). Atribui-se ao Filho a Redenção do Mundo.
DEUS
ESPÍRITO SANTO
– Procede do Pai e do Filho; é como uma expiração, sopro de amor
consubstancial entre o Pai e o Filho; pode-se dizer que Deus em sua
vida íntima é amor, que se personaliza no Espírito Santo.
Manifestou-se primeiramente no Batismo e na Transfiguração de
Jesus; depois no dia de Pentecostes sobre os discípulos. Habita nos
corações dos fiéis com o dom da caridade. Atribui-se ao Espírito
Santo a Santificação do mundo.
O Pai é pura Paternidade, o
filho é pura Filiação e o Espírito Santo, puro nexo de Amor. São
relações subsistentes, que em virtude de seu impulso vital, saem
um ao encontro do outro em perfeita comunhão, onde a totalidade da
Pessoa está aberta à outra distintamente. Este é o paradigma
supremo da sinceridade e liberdade espiritual a que devem ter as
relações interpessoais humanas, num perfeito modelo transcendente,
só assim, compreensível ao entendimento humano. É desta forma que
devemos conhecer a mensagem a Santíssima Trindade, mesmo sem
alcançar os segredos do seu mistério. Desta maneira, devemos nos
comprometer a adquirir certas atitudes nas nossas relações
humanas. A Igreja nos convida a “glorificar a Santíssima
Trindade”, como manifestação da celebração. Não há melhor
forma de fazê-lo, senão revisando as relações com nossos irmãos,
para melhorá-las e assim viver a unidade querida por Jesus: “Que
todos sejam um”. Extraído do site:
É pura erudição
saber que a palavra “quaresma” era, antigamente, um simples adjetivo em latim.
Ela encontrava-se no início de uma frase e passou a denominar um período todo
do ano litúrgico. Eis a frase em questão: “Quadragésima die Christus pro
nobis tradétur”, que se traduz assim: “Daqui a 40 dias (no quadragésimo
dia), Cristo será entregue por nós” para a nossa salvação. Quaresma é
abreviação de quadragésima. Na frase latina, em questão, quadragésima está no
feminino porque, em latim, dia, além de masculino, é também feminino. A língua
portuguesa manteve a palavra no feminino. Quaresma é, portanto, a
palavra utilizada para designar o período de 40 dias, no qual os católicos
realizam a preparação para a Páscoa, a mais importante festa do calendário
litúrgico cristão, pois celebra a Ressurreição de Jesus, a base principal da fé
cristã. Nesse período, que começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na
Quarta-feira da Semana Santa, os fiéis são convidados a fazerem um confronto
especial entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esse
confronto deve levar o cristão a aprofundar sua compreensão da Palavra de Deus
e a intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé.
Quando surgiu a Quaresma
Por volta do ano 350 d.C., a Igreja decidiu aumentar o tempo de
preparação para a Páscoa, que era de três dias, que permaneceram como o Tríduo
Sagrado da Semana Santa: Quinta
feira Santa, Sexta-feira Santa (Paixão) e Sábado Santo. A preparação para a
Páscoa passou, então, a ter 40 dias. Isso aconteceu porque os cristãos
perceberam que três dias eram insuficientes para que se pudesse preparar
adequadamente tão importante e central evento. Surgia, assim, a Quaresma.
O número 40
O número 40 é bastante significativo dentro das Sagradas
Escrituras. O dilúvio teve a duração de 40 dias e 40 noites, além disso, foi a
preparação para uma nova humanidade purificada pelas águas. Durante 40 anos, o
povo hebreu caminhou pelo deserto rumo à terra prometida, tendo atravessado o
mar vermelho. Antes de receber o perdão de Deus, os habitantes da cidade de
Nínive fizeram penitência por 40 dias. O profeta Elias caminhou 40 dias e 40
noites para chegar à montanha de Deus. Preparando-se para cumprir sua missão
entre os homens, Jesus jejuou durante 40 dias e 40 noites. Moisés havia feito o
mesmo. Os povos antigos atribuíam ao número 40 diversos significados. Um deles
tem importância especial para os cristãos: um tempo
de intensa preparação a acontecimentos marcantes na História da Salvação.
Quaresma no Brasil
A partir da década de 70, a Igreja no Brasil colocou na devoção
dos fiéis que tradicionalmente acompanham, com muita piedade, a caminhada de
Jesus para a Páscoa, um reforço à vivência do amor, da caridade que liberta,
visto que Jesus deu Sua vida para nos salvar. Ao colocar a Campanha da
Fraternidade no período da Quaresma, ela quer que sua organização e realização
sejam uma mediação muito prática para a vivência da caridade, desenvolver e
aprofundar a fraternidade, segundo o mandamento do
amor: amar o próximo como Jesus nos amou.
A cada ano, um tema é tratado no espírito quaresmal de
conversão, por meio da meditação, da oração, do jejum, da
esmola, no sentido de caridade que liberta. Para facilitar, a Igreja oferece um
texto base no esquema “Ver, Julgar, Agir” e diversos subsídios de apoio,
motivando e estimulando os fiéis a levarem a meditação sobre Jesus perseguido e
sofredor, e as demais práticas da Quaresma para atitudes concretas em favor do
outro, privilegiadamente os sofredores.
O foco da Quaresma sempre foi e continuará sendo a nossa conversão ao
Senhor e ao que Ele quer de nossa vida e do mundo. Nossa conversão pessoal e
institucional, porém, deve sempre se concretizar, ser visível.